Marcelo Cortes/CRF
Marcelo Cortes/CRF

No vôlei feminino, Flamengo luta contra o rebaixamento na Superliga

Equipe carioca soma 15 derrotas em 17 partidas; treinador diz que reformulação pede trabalho de longo prazo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2020 | 04h30

Enquanto o futebol masculino o Flamengo virou exemplo com as conquistas da Libertadores e do Brasileiro no ano passado, o vôlei feminino do clube corre risco de rebaixamento na Superliga Feminina. Nesta terça-feira, a equipe perdeu para o Sesi Bauru, jogando fora de casa, por 3 a 2. Foi a 15ª derrota da equipe em 17 rodadas do torneio. Com isso, o time é o penúltimo colocado. Pelo regulamento, as duas últimas equipes vão para a Superliga B. O voleibol masculino do clube já disputa a divisão de acesso.

O técnico Alexandre Ferrante afirma que as dificuldades já eram esperadas em função da reformulação da equipe feminina. O Flamengo contratou 11 atletas. "A campanha está dentro das expectativas de dificuldade que esperávamos. Passamos por todo o processo de Superliga C e B, reformulando praticamente a equipe inteira para a Liga A", disse o treinador ao Estado.

A equipe possui jovens e experientes. Aos 18 anos, a levantadora Vicky Mayer já integra a seleção principal da Argentina pela qual conquistou o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019. Ela foi eleita a melhor levantadora da competição. Fernanda Ísis já foi bicampeã da Superliga com o Rexona (2007/2008, 2008/2009). Aos 35 anos, a central é a mais experiente do time.

O treinador defende um trabalho de longo prazo. “Esse é um processo de crescimento dentro de um projeto a médio e longo prazo e que foi iniciado apenas há pouco mais de um ano. A Superliga, por ser uma das melhores ligas do mundo, é uma competição muito forte. Ela necessita um planejamento que contemple a possibilidade de bons resultados dentro de um prazo maior”, argumenta.

Apesar da posição difícil na tabela, o treinador aposta na recuperação. “Precisamos de persistência nos treinamentos, muita resiliência e uma entrega maior até o final para compensar os pontos perdidos em resultados passados que nos frustraram. Podemos ganhar esses pontos em qualquer jogo, inclusive contra os grandes, a exemplo do que aconteceu contra Osasco e Sesc”, pontua.

O vôlei feminino é um dos esportes olímpicos mais tradicionais na história do clube. Na década de 1950, o Flamengo foi o primeiro time brasileiro de vôlei feminino a viajar para o exterior, tendo participado de campeonatos no Peru nos anos de 1953 e de 1956, vencendo todas as partidas que disputou por lá. A modalidade já conquistou três títulos brasileiros (1978, 1980 e 2000/2001) e um Sul-Americano (1981).

Nomes como Isabel e Jaqueline tiveram passagens importantes pelo clube a ponto da emprestarem seus nomes para o vestiário do vôlei feminino. Na última conquista, já sob o formato atual da Superliga, o time carioca contava com nomes como Virna e Leila, ambas da seleção Brasileira. Também foi responsável por revelar duas campeãs olímpicas: Fabi (bicampeã, 2008 e 2012) e Valeskinha (2008).

O Flamengo disputou a Superliga A até a temporada 2005/2006. A desativação do time de vôlei, em 2013, estava inserida no contexto de desmonte dos esportes olímpicos, como judô e ginástica artística. 

No masculino, a tradição é apenas estadual. Na década de 1980, treinados por Radamés Lattari Filho uma equipe masculina formada, entre outros, por Bernard e Bernardinho, foi tetracampeão estadual de 1987 a 1990. Na década de 1990, liderado pelo campeão olímpico Tande, o Flamengo conquistou o penta estadual entre 1992 e 1996.

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