'O time de 1984 era muito versátil na quadra', afirma William

Capitão da equipe de Bebeto de Freitas exalta os companheiros e relembra como aquele time marcou a história do esporte brasileiro

Entrevista com

William

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 07h00

William era o líder do time de vôlei do Brasil durante boa parte da década de 1980. Com o levantador em quadra, a equipe brasileira tinha também a segurança  de uma boa distribuição de jogo - característica marcante da geração de prata. Além da genialidade de William, as diversas opções no ataque, de acordo com  ele mesmo, ajudaram a seleção a fazer história nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Depois de 30 anos, o capitão daquela equipe ainda cita os companheiros e as jogadas que colocavam em prática em cada um dos jogos. Em entrevista ao Estado, o  ex-levantador, que hoje é gerente e assistente técnico do São Bernardo, exalta o planejamento do vôlei a partir de 1981 e conta detalhes da campanha na Olimpíada de 1984, além de relembrar os maiores momentos em quadra, jogando com a camisa 7 do Brasil.

Qual era o grande trunfo daquela equipe?

Era a versatilidade. Era um time baixo, muito rápido. Eu como o levantador da equipe tinha muita opção, com o Montanaro, Bernard, Xandó, Renan e Amauri.  Todos atacavam no fundo, com violência e também tinham bom saque. Isso surpreendia muita gente.

Vocês têm noção do que representam para o esporte brasileiro?

Temos, sim. Não só de ter influenciado outros jogadores, mas também do planejamento e do trabalho que foi feito. Do que representou essa medalha de prata.  Para o vôlei e para os outros esportes. Foi a primeira vez que foi feito um planejamento legal. O vôlei, depois, sempre primou por isso. A partir daquele  grupo conseguimos massificar o vôlei no País. E isso foi transformado em qualidade. Somos referência: como time e como planejamento. Foi a partir de 1984 que  tudo começou

Qual o papel do Bebeto de Freitas para a conquista da medalha inédita? 

Primeiro que ele era um jogador fantástico, pensava muito rápido. A comissão foi muito bem elaborada por ele. O Jorjão cuidava da parte dos bloqueios, o  Brunoro anotava tudo. Era impressionante como ele nos dava força para nós termos ousadia. Ele via o jogo muito rápido: sabia que o time era baixo e mandava  atacar no fundo, por exemplo. Nós conversávamos muito, por eu ser o capitão, o técnico para ele dentro da quadra. Tudo isso sem a tecnologia que existe hoje.

O Brasil venceu os Estados Unidos por 3 a 0 na primeira fase e depois acabou derrotado na final. Por que o time não conseguiu repetir a atuação?

Nós perdemos da Coreia do Sul na primeira fase e fomos obrigados a cruzar os Estados Unidos antes da hora. O certo era só na final. E precisamos ganhar ainda  na primeira fase, senão seríamos eliminados. Tinha de ganhar e apresentamos tudo. Tudo que entrou naquele jogo, não entrou no segundo. E eles souberam nos  marcar na final. Todas as jogados que só faríamos na final, fizemos na primeira partida. E eles fizeram o que não conseguiram na fase de grupos. Além disso,  o passe não chegou tanto na minha mão no jogo final, porque eles sacaram bem, taticamente. Se não tivéssemos perdidos para a Coreia, teríamos enfrentado os  Estados Unidos só na decisão e poderia ser diferente.

O time era bastante experiente. Isso foi importante para a boa campanha nos Jogos de Los Angeles?

Foi fundamental todas essas conquistas. Ganhamos o Pan de 1983, o Mundialito, fomos bronze no Mundial de 1981 e prata em 1982. A gente foi subindo degraus. A  prata no Mundial de 1982 foi logo após a derrota no futebol na Copa da Espanha. Isso nós ajudou para que as condições melhorassem. Olharam para o vôlei.

A convivência entre vocês ainda continua viva?

Quase sempre nos encontramos, em jogos, exibições, comemorações. Vamos comemorar bastante esses 30 anos. O que é mais bacana é que quase todos estão ligados  ao vôlei. 

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