Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Os derradeiros saltos de um grande

Giba quase encerrou a carreira, mas encontrou seu lugar no modesto Taubaté, que ficou em último lugar na Superliga da temporada passada

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2013 | 19h50

SÃO PAULO - Envolvido em conversas com advogados e se preparando para receber os filhos pela primeira vez em Taubaté,

Pelo “Leões do Vôlei”, o projeto social que mantém com um curitibano, o campeão olímpico de vôlei de praia (2004) Emanuel, já passaram 12 mil crianças. “É a menina dos meus olhos. Já prendemos um pai que cometeu abuso sexual. Há também um dono de boca de fumo que impede que haja tráfico numa das escolas envolvidas no projeto. Ele quer que o filho dele tenha uma oportunidade que ele não chegou a receber.”

O Vale do Paraíba, um corredor que liga São Paulo ao Rio, tornou-se alvo do tráfico de crack, que aumentou em 25% em seu volume na região. O investimento em Giba se justificaria, na retórica de Ortiz, no combate indireto a essa mazela.

Na fase descendente da carreira, Giba aposta na experiência para se mostrar útil. Antes do Funvic, que estava baseado em Pindamonhangaba na última temporada e ficou em último na Superliga, o único time a demonstrar interesse em Giba foi o Volta Redonda, que quase foi impedido de participar do próximo campeonato por ter dívidas com seus jogadores.

“O quadro do vôlei está complicado. Depois de 20 anos na seleção brasileira, é difícil para mim entender essa situação. Os esportes amadores no Brasil estão parados, sem investimento, por causa da Copa do Mundo. O dinheiro está voltado para o futebol. Os esportes amadores voltarão a receber investimento em 2015. É um momento de transição. Depois que eu encerrar a carreira, pretendo dar uma contribuição ao COB e à CBV para que o Brasil esteja lá em cima no quadro de medalhas.”

Giba, que saltava um metro em seus melhores anos, já não sabe qual é o poder da sua impulsão. Ele pretende se poupar para dar sua mais valiosa contribuição nos momentos-chave.

“Quando você é jovem, dispara como um cavalo paraguaio, que corre sem ligar para a paçoca. Existe um decréscimo físico com o tempo, e o jogador mais experiente joga a 70% de sua capacidade. Você consegue controlar suas forças para ser decisivo no momento em que é mais importante.”

As últimas imagens de Giba com a camisa da seleção brasileira não foram vitoriosas. Ele entrou no terceiro set da final olímpica, quando o Brasil estava prestes a fechar o jogo, mas foi mal e a Rússia virou, ficando com o ouro. Bernardinho recebeu críticas por supostamente ter promovido a entrada de Giba apenas para homenageá-lo em sua despedida.

“Não concordo com isso. O Bernardinho queria ganhar o jogo. Ele me colocou porque eu defendo melhor do que o Dante, e ele pensou nisso.”

Giba diz que esse último capítulo nunca poderá reduzir o saldo de suas duas décadas na seleção (ele inclui a passagem pelas seleções de base).

“Fui convocado para a seleção adulta já em 1995, pelo Zé Roberto (José Roberto Guimarães, atual técnico da seleção feminina e campeão olímpico pela masculina em 92)”, lembra o jogador. “Houve a geração de prata e houve a nossa, que não sei nem como chamar, porque foi ouro, prata e prata.”

Com três títulos mundiais e três medalhas olímpicas no currículo, Giba celebra a capacidade de superação. “Minha mãe costumava brincar que eu precisava de um anjo da guarda a cada semana. Afinal, tive leucemia, tive um acidente em que despenquei num barranco de quarenta metros, rasguei meu braço e fui pego no antidoping.”

Com a vida financeira conturbada depois do fim de um casamento que durou nove anos, o ponteiro agora se dedica a tentar oferecer uma última imagem positiva. Um dos melhores jogadores da história do vôlei dá seu recado: “Quem quiser ver o Giba no ginásio, é bom se apressar. Vai durar pouco”.

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