Para Amauri, equipe conquistou a prata e o público brasileiro

Meio de rede da seleção de vôlei por mais de 17 anos levou sua experiência à geração de 1992, campeão olímpica em Barcelona

Entrevista com

Amauri

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 07h00

Essencial para a conquista da prata em 1984, Amauri disputou, como meio de rede, quatro Olimpíadas. Durante mais de 16 anos, defendeu a seleção brasileira e fez parte de uma das maiores trajetórias do esporte brasileiro. Depois da campanha nos Jogos de Los Angeles, foi à Olimpíada de 1988, em Seul, obtendo um quarto lugar. Quatro anos depois, sagrou-se, enfim, campeão olímpico. Em Barcelona, tornou-se importante ao grupo do técnico José Roberto Guimarães ao ajudar os mais jovens, principalmente na final contra a Holanda.

O atual presidente da Confederação Brasileira de Vôlei Sentado, em entrevista ao Estado, disse que trabalho iniciado pela comissão técnica brasileira a partir da chegada de Bebeto de Freitas foi fundamental para a conquista em 1984. Para ele, a filosofia implantada naquele time foi pioneira e fundamental para o esporte do País, influenciando outros grandes treinadores da geração atual.

A geração de prata mudou os rumos do vôlei no Brasil. Por que isso aconteceu?

Sem dúvida nenhuma aquela geração fez o vôlei ser reconhecido. A medalha de prata foi uma conquista, o resultado de um trabalho. É uma geração que é lembrada  até hoje. Além da prata, conquistamos o grande público do Brasil.

Como aquele time se formou?

O trabalho foi iniciado ainda na década de 1970, na seleção juvenil. A base daquele time veio do primeiro Mundial Junior, no Rio, em 1977. Aos poucos todos  foram entrando na seleção adulta. Era um trabalho difícil, porque não tínhamos muito apoio financeiro. Mas apesar disso todos tinham muita determinação de  vencer e buscar alguma coisa a mais. Valeu o sacrifício de todos para manter aquele grupo.

E a comissão técnica?

O Bebeto assumiu o time em 1981 e implantou uma seleção permanente, com uma nova filosofia, que era algo novo no Brasil. Com muito empenho, conseguiu reunir  aquele time. Eram longos períodos de treinamento, concentrados no Rio. Essa nova filosofia dele influenciou outros treinadores, como o José Roberto Guimarães  e o Bernardinho. Foi uma receita de sucesso. Ele colocou na comissão técnica os melhores profissionais, cada um na sua especificidade. Ele se preocupou em  integrar o que tinha de melhor O Brunoro como auxiliar técnico, mais na parte de defesa, saque e recepção. O Jorjão na parte do bloqueio e ataque. O Major  Paulo na preparação física. Todos ajudaram muito  A função do Bebeto era bem tática, de armar a equipe na quadra.

O que faltou para o time voltar a vencer os Estados Unidos?

Foi a primeira final olímpica. Tivemos uma grande preparação técnica, física e tática. Mas faltou alguma coisa na final. Deixamos escapar uma medalha de  ouro, porque éramos favoritos naquela final.

A campanha em Los Angeles foi importante para a vitória em Barcelona depois de oito anos?

Sem dúvida. Todos que estavam ali tinham funções. Aquele grupo era muito unido. A mescla de atletas mais experientes mais novos foi fundamental. Era a  primeira Olimpíada da maioria deles. Eu e o Pampa assumimos esse papel. Foi importante para manter a estabilidade e a união. O que eu passei em 1984 foi  levado a eles como uma experiência positiva. Eu não esperava a convocação. Me senti muito bem naquele grupo. Foi importante para eles.

Os jogadores mais jovens falavam com você sobre 1984?

Eles sempre perguntavam sobre tudo, de todas as experiências. Tentei passar para eles o que nós poderíamos fazer chegar à grande conquista.

Em qual situação isso aconteceu?

Quando vencemos os Estados Unidos na semifinal houve uma certa euforia porque pegaríamos a Holanda, que já havíamos vencido na fase de grupos. Era a mesma situação de 1984. E lembramos disso. Tivemos uma reunião para não mudar o comportamento e continuar com o mesmo espírito. Jogaríamos com um adversário que já  tinha sido derrotado. Mas uma final olímpica é diferente. É completamente diferente enfrentar na decisão. Superamos isso, aprendemos com os erros.

Vocês da geração de prata têm o hábito de se encontrar?

Nos encontramos na semana passada, sempre revivemos aquilo que passamos. Parece que nada mudou, é muito saudável, sempre muito legal.

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