Poema de Giovane explica o sucesso

A seleção brasileira masculina de vôlei tem o seu Manuel Bandeira. Assim foi "batizado" o atacante Giovane. Além de ter ajudado o grupo nos momentos mais complicados nos jogos do Mundial da Argentina - reserva do time, entrou muito bem nas partidas, assim como Ricardinho e Anderson -, ele contribuiu com sua experiência e companheirismo fora da quadra. Desempenhou papel semelhante ao do veterano Amauri na Olimpíada de Barcelona, em 1992, quando o Brasil foi campeão invicto.Na Argentina, na véspera da partida decisiva contra a Rússia, Giovane, um campeão olímpico no banco, escreveu um poema - ?Um Diamante de 12 Faces? - e o recitou para os companheiros. O texto retrata exatamente a fase em que a seleção se encontra: de união.Em uma dinâmica de grupo - os atletas têm auxílio de psicólogo -, Giovane imaginou que a seleção era um diamante. "Ora uma face brilha, ora a outra. Mas a luz é única e é muito forte", explicou o jogador, que gosta de escrever - começou com poemas românticos.No Mundial da Argentina, prevaleceu a coletividade, a luz única e forte do diamante. O Brasil venceu a Itália (quartas-de-final), a Iugoslávia (semifinal) e a Rússia (final) com importante participação dos reservas. Além do levantador Ricardinho e do oposto Anderson, Giovane entrou em momentos críticos dos jogos - foi dele o ponto, de saque, que definiu a vitória brasileira no quinto set contra os russos. Daí a insistência dos jogadores em sempre atribuir o título aos 12 atletas da seleção, não apenas aos titulares. "Quando eu era titular, em 92 e 93, não dava tanto valor para os outros seis que ficam no chiqueirinho no canto da quadra. Hoje, sei o quanto é bom ter 12 jogadores. Não faço 30 pontos, não desequilibro uma partida, mas dou minha contribuição. E instigo o titular a ser cada dia mais titular porque estou na cola dele", explicou Giovane.O ?poeta? da seleção contou que treinou saque a manhã inteira, antes da decisão com a Rússia. Havia dito que faria o ponto do título. No jogo, quando viu o 13 a 13 no placar, pensou que poderia liquidar a partida - marcou os últimos 2 pontos. Repetiu o ritual de bater três vezes a bola no chão - várias vezes. Quando se sentiu seguro, sacou "colocado". "Na hora, acho que me guiaram. Saquei e o resto foi Deus. Não sabia se a bola tinha ido dentro ou fora. Quando os meninos começaram a comemorar, vi que tinha sido um ace", lembrou.O atacante, em estado de paixão - ?pela vida, a namorada, os filhos, o vôlei...? -, já está louco para voltar a jogar. Defenderá o Suzano "com a mesma vontade com que competi nesse Mundial. Volto ao Brasil com a sensação de dever cumprido. Lembro de todos os sacrifícios que fizemos e agradeço ao grupo. Somos muito bons e muito fortes."Giovane comentou que pode ficar fora da seleção no próximo ano, mas ainda não sabe se será o fim de sua fase no grupo. "São 14 anos com a camisa da seleção. Uma hora a despedida vai chegar. Estou tentando prorrogá-la, mas... No próximo ano, o Bernardo pode querer fazer experiências. Acho justo. Quem sabe, depois, volto?" Leia o poema escrito por Giovane que inspirou a seleção campeã mundial: Inverno muito frio, muito trabalho e dor. Uma pedra bruta, aos poucos lapidada por mãoscalejadas, o suor, a dor, a saudade e, em certos dias, dentro do mais íntimo sentimento,até lágrimas! A primavera rompe o gelo. O calor aos poucos curte a pele e descongela a alma. O primeiro brilho surge aos poucos com habilidade e precisão de um mestre. A pedra se torna um brilhante Com brilho próprio, quase azul. Doze faces, Doze pontas. Às vezes parece uma, outras, um conjunto de luzes ofuscantes, que como um arco-íris espalha colorido pelo céu. Doze faces, Uma única luz, que com seu brilhocorta e quase cega. Olhos fechados, uma única coisa na mente. Doze faces, doze guerreiros, Uma pedra, Um diamante que conquistou o mundo!

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.