Projeto social de Bernardinho ensina vôlei para crianças

Os alunos terão duas aulas de vôlei por semana, uma no Clube Hebraica e outra na favela Tavares Bastos

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2008 | 19h23

Sessenta crianças da favela Tavares Bastos, no bairro do Catete (zona sul do Rio), tiveram nesta sexta-feira a primeira aula de vôlei no Clube Hebraica, graças a um projeto social comandado pelo técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho. A iniciativa conta também com o apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de lideranças da comunidade, considerada pelo governo do Estado como a única sem o controle do tráfico, devido à presença da tropa de elite da Polícia Militar, que há oito anos tem um quartel no topo do morro.   Em uma favela dominada pelos criminosos, as crianças normalmente vêem os policiais como inimigos. Isso, no entanto, não ocorre na Tavares Bastos. Nesta sexta-feira, dois soldados do Bope, armados de fuzis, levaram os alunos num ônibus da Polícia Militar para treinar no Hebraica.   "Aqui rola uma amizade sem interesse", declarou o policial Marcelo Pires, ressaltando que a favela não tem violência, ação de milícia (grupo paramilitar que cobra para dar segurança à comunidades carentes) e virou cenário para o novo filme do Hulk.   Bernardinho e sua equipe de profissionais também estenderam as mãos para a garotada de baixa renda, de 8 até 13 anos. A partir de fevereiro, os alunos terão duas aulas de vôlei por semana, uma na quadra do Hebraica e a outra na própria favela. Mas, por enquanto, eles só vão treinar no clube, cuja estrutura é de alto nível: são oito mini-quadras, com bolas menores e mais leves.   Além disso, a metodologia de ensino é especial. "Cada criança tem uma bola à disposição durante toda atividade, que dura uma hora. A receita é variar os exercícios, o que gera motivação", declarou Helio Griner, um dos coordenadores do projeto.   A idéia de Helio Griner é expandir tal iniciativa para outras comunidades da região. "Estou em busca de patrocínio para oferecer lanche para a garotada depois do treino", revelou.   Portadora de síndrome de Down, Tainá da Silva, de 12 anos, é o maior exemplo de superação entre os alunos do projeto. Ela descobriu no vôlei a motivação para viver. "Gosto muito de jogar. Quero ser a Fernanda Venturini (ex-levantadora que brilhou na seleção brasileira)", declarou, sentada no canto da quadra, sem se desgrudar da bola.   Por meio de sua assessoria, Bernardinho definiu o projeto como um sonho que amadureceu. "Fazer uma escolinha em nossa cidade e poder passar para as crianças um pouco do que aprendemos durante todos esses anos, não somente da técnica do jogo, mas da nossa vivência, é um ideal que está se tornando realidade", afirmou o treinador.

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