Divulgação/Bauru
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Recordista de pontos na Superliga, Tifanny mantém silêncio sobre polêmica

Atleta transexual anotou 39 pontos na vitória do Bauru sobre o Praia Clube

Estadão Conteúdo

31 Janeiro 2018 | 12h18

A oposta Tifanny Abreu, primeira jogadora transexual a atuar na Superliga Feminina de Vôlei, adotou o silêncio sobre a polêmica criada em torno de suas atuações. Blindada pelo próprio clube, o Bauru, a jogadora tem recusado entrevistas exclusivas e só dá declarações sobre assuntos relacionados ao próprio jogo.

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A presença de Tifanny reacendeu o debate sobre a atuação de atletas transexuais nascidos homens nos esportes para mulheres. Atletas, treinadores e torcedores discutem se Tifanny poderia ter vantagens físicas sobre as demais jogadores, principalmente com relação à força.

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A discussão ganhou novo impulso nas redes sociais depois de Tifanny ter feito sua melhor partida no torneio nesta terça-feira ao marcar 39 pontos na derrota do Vôlei Bauru sobre o líder Dentil Praia Clube por 3 sets a 2, parciais de 20/25, 14/25, 25/17, 25/18 e 13/15.

Ao marcar 39 vezes, ela bateu o recorde de pontos de uma jogadora em uma mesma partida da competição. A marca anterior pertencia a Tandara que, em 2013, anotou 37 pontos na vitória do Campinas sobre o mesmo Praia Clube.

O desempenho está relacionado ao número de vezes em que foi acionada na partida. Ela recebeu 75 bolas, com 44% de aproveitamento. Ao todo, ela marcou 33 vezes em ataques e seis em bloqueios.

Tiffany recebeu autorização da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para disputar a Superliga no início de dezembro, após quase dez meses de espera. Em março, ela havia conseguido a liberação da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para competir entre as mulheres.

Na semana passada, a FIVB confirmou a liberação. A decisão foi tomada após uma reunião em Lausanne, na Suíça, entre os integrantes da comissão médica da FIVB. A entidade fez apenas uma ressalva. No caso de torneios nacionais entre clubes, a responsabilidade da liberação dos atletas pertence às respectivas federações nacionais. Na situação de Tifanny, a decisão caberia à CBV(Confederação Brasileira de Vôlei).

Pela legislação do COI, uma atleta transgênero está autorizado a competir em alto rendimento entre mulheres desde que não produza uma quantidade de testosterona que ultrapasse 10 nanomol por litro de sangue nos doze meses anteriores à competição. Tifanny costuma apresentar 0,2 nanomol/l de testosterona em seus exames, cumprindo os requisitos do COI. 

Hoje, Tifanny tem 33 anos. Ela iniciou a transição de gênero em 2012, realizou um tratamento hormonal e cirurgia de adequação sexual. Antes da transição, ela participou de ligas masculinas de vôlei em Portugal, Indonésia, Espanha, França, Holanda e Bélgica.

A polêmica deve se estender ao longo do primeiro trimestre, pois o Comitê Olímpico Internacional (COI) pretende discutir o tema novamente após os Jogos Olímpico de Inverno, que serão disputados em fevereiro, na Coreia.

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