Renato Antunes/Maxx Sports Brasil
Renato Antunes/Maxx Sports Brasil

Renan Dal Zotto vê ‘lucro’ em jornada dupla no Taubaté e na seleção

Técnico do Brasil assume o time na reta final da Superliga masculina de vôlei e diz que o acúmulo de cargos ajuda trabalho de observação

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 04h36

O técnico Renan Dal Zotto, da seleção masculina de vôlei, assumiu recentemente o time do EMS Taubaté Funvic na Superliga, antecipando uma decisão que já tinha tomado para a próxima temporada: trabalhar em duas frentes. “O projeto é legal e decidi aceitar porque existe uma tendência no mundo de os treinadores de seleções trabalharem em clubes”, contou, em entrevista ao Estadão.

Ele explica que poderá observar mais de perto os possíveis convocáveis, seja em sua equipe, seja nos times adversários. “A base da seleção está nas quatro ou cinco equipes mais bem colocadas da Superliga masculina de vôlei”, disse. “É bom ter esse contato permanente no dia a dia e jogando contra, para ter decisões mais fiéis nas convocações do Brasil”, ressalta.

O Taubaté ocupa a terceira posição na Superliga masculina e ainda terá mais dois duelos pela frente antes de conhecer seu adversário das quartas de final. Nesta quarta-feira, às 20h, o time enfrenta o Sada Cruzeiro em jogo atrasado da competição. O resultado não vai interferir na classificação final, mas o técnico terá mais uma partida para moldar sua equipe para a fase decisiva. Essa é a ideia.

“No esporte, não existe mágica. O alto rendimento é de construção, de dia a dia, de método de trabalho. É difícil no curto espaço dar uma cara para o time. Mas o Taubaté vinha treinando muito bem com o Daniel Castellani, infelizmente não deram continuidade ao trabalho dele, mas ele deixou um trabalho bem importante. É um excelente treinador, que sempre admirei muito”, disse Renan.

Mas a diretoria do Taubaté não estava satisfeita com o rendimento do time nas mãos de Castellani. Irregular na temporada, acabou perdendo para o Fiat/Minas na semifinal da Copa do Brasil e foi derrotado na mesma fase da Libertadores de Vôlei pelo Bolívar, da Argentina. Depois, ainda ficou sem a medalha de bronze ao cair diante do Sesi-SP. Após uma avaliação, foi dispensado.

Como o projeto já era ter Renan na próxima temporada, bastou consultá-lo e antecipar sua vinda. O treinador topou na hora. Sabe, porém, que o caminho para ter uma conquista neste ano é longo e difícil. “Cada treinador tem seu método de trabalho. O time é bom, é competitivo, mas não vim aqui para salvar nada”, comentou.

Desde que chegou, Renan tentou colocar um pouco do seu estilo no Taubaté e até inovou em alguns treinamentos, simulando situações de outras modalidades com seus atletas para aperfeiçoar a agilidade dos jogadores. “Essa é uma coisa de que gosto. Sempre tentei motivar os jogadores a desenvolver novas habilidades e acredito que isso tudo faz parte do crescimento de um atleta”, admitiu.

O trabalho de Renan no Taubaté não atrapalha em nada a atividade na seleção, até porque os calendários são distintos. Ele terá um ano importante com o Brasil, principalmente para brigar pela classificação olímpica para os Jogos de Tóquio. A convocação final da seleção para a temporada será no meio de maio, depois da Superliga. Ele só voltará ao Taubaté no início de uma nova edição nacional, aí com o trabalho desde o começo, em outubro, ao final da Copa do Mundo no Japão.

QUATRO PERGUNTAS PARA RENAN DAL ZOTTO

1. Como surgiu essa possibilidade de assumir o EMS Taubaté Funvic agora?

Eu já estava acertado para o ano que vem. Mas quando o clube ficou sem treinador e me ligou, resolvi vir. É um time muito bom, tivemos duas semanas de trabalho e estamos na reta final da fase de classificação. Vamos ver o que conseguiremos este ano.

2. Foi difícil tomar a decisão por causa de seu trabalho na seleção?

Estou bem feliz de ter tomado esta decisão. A conversa com CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) foi bem tranquila porque já era de praxe os técnicos serem da seleção e de clube, isso já ocorria com outros treinadores.

3. Você chegou há pouco tempo, mas já deu para ter contato com os fãs?

Isso é algo legal aqui. Você vai no shopping, no restaurante, e as pessoas vivem o voleibol em Taubaté. A cidade abraça, dá vontade de estar no ginásio, a pressão da torcida é muito saudável e nos motiva a treinar mais forte ainda.

4. Você terá de abrir mão de ir para a Europa para conversar com atletas?

Pelos meus compromissos aqui no clube, quem vai é o Renato Bacchi, meu preparador físico. Ele vai para a Itália já com uma lição de casa para fazer (conversar com Bruninho e Leal) e os trabalhos continuam normalmente. Espero não estar na primeira semana, pois isso significa que estarei vivo nas finais da Superliga. Minha comissão já estará lá.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.