Ricardinho saiu da sombra de Maurício

Reserva do quase intocável Maurício, o levantador Ricardinho saiu do banco para protagonizar a conquista de um dos maiores títulos da história do vôlei brasileiro. Junto com o oposto Ânderson, foi a arma lançada pelo técnico Bernardinho quando a situação ameaçou se complicar nos jogos contra a Iugoslávia (semifinal) e contra a Rússia (final).E o atleta quase ficou de fora do Mundial. Com uma contusão nas costas às vésperas do Mundial, Ricardinho, de 26 anos, perdeu preciosos dias na preparação da equipe. Sentindo dores muito fortes, mal acreditava que poderia ajudar o Brasil na Argentina."Antes do Mundial via todo mundo treinando forte e eu com dores, quase sem conseguir andar. Não sabia o quanto poderia ajudar a equipe, mas queria contribuir pelo menos com uma pequena parte. No fim, acabei ajudando bastante", afirmou Ricardinho no desembarque da seleção no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, nesta segunda-feira.Para permanecer acreditando na recuperação, Ricardinho conta que teve ajuda de duas pessoas, em especial. O primeiro foi o fisioterapeuta Guilherme Tenius, o "Fiapo"; o segundo, seu companheiro de quarto no Mundial, o amigo Giba. "Eles me deram força para seguir com esperanças de me recuperar a tempo. O Giba até falou que eu ia entrar e jogar a final."A contusão nas costas, porém, não foi o maior problema que Ricardinho enfrentou nos últimos anos. No segundo semestre de 2001, o jogador ficou desempregado por quase seis meses, sobrevivendo apenas do salário da mulher Fabiana, que trabalhava com promoção de eventos. Na época, seu time - o Suzano -, o dispensou para reduzir custos."Tive muitas dificuldades. Não conseguia encontrar clubes e faltava dinheiro para pagar as contas", contou o atleta, que cogitou até em jogar na Coréia do Sul. "Agora, com este título, muitas portas vão se abrir. Foi muito bom profissionalmente."Com contrato com a gaúcha Ulbra até o meio do ano que vem, Ricardinho por enquanto não pensa em deixar o clube para jogar no Exterior, onde atua a maioria dos colegas de seleção. "Pretendo cumprir meu contrato até o fim."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.