Ricardinho vive dilema no vôlei

O levantador Ricardinho, de 25 anos, é o único atleta da seleção brasileira que está desempregado. Há quatro meses sem receber salário de clube, a situação é compensada pelo fato de a mulher, Fabiane, de 26 anos, trabalhar em uma empresa de eventos. "Se for para ficar parado, não tem problema. Tenho fé em Deus que tudo se resolverá", disse Ricardinho.O Brasil estréia nesta quinta-feira no Sul-Americano, em Cali (Colômbia), contra a Venezuela, em busca de vaga para a Copa dos Campeões, em novembro, no Japão. Espera, também, manter a hegemonia continental. São 22 títulos desde 1951 - a equipe não participou da edição de 64. O jogo entre Colômbia x Argentina completa a rodada."Os meninos da seleção vivem perguntando ao Ricardo se ele não fica preocupado. Ninguém acredita que estamos tranqüilos", disse Fabiane. Ricardinho, ex-Suzano, chegou a receber proposta da Ulbra. "Ia receber menos do que no Suzano. Achamos que ele poderia escolher coisa melhor." O jogador espera acertar com um time da Coréia. "Só falta mandarem a papelada, mas estão enrolando."Segundo Fabiane, o marido mantém a tranqüilidade graças à religião - tornou-se evangélico - e a volta dela ao trabalho. Fabiane conta que, entre as mulheres dos jogadores da seleção, só ela e Úrsula, casada com o meio-de-rede Henrique, trabalham fora. "Hoje, o Ricardo sabe que a vida vai além do vôlei." Se for preciso, acrescenta, podem comprar um terreno e plantar soja. "Assim como o meu pai.""Trabalhei na loja da minha mãe dos 13 aos 18 anos. Só parei quando tive a Júlia, aos 22 anos", diz Fabiane, que estudou até o segundo grau. "Fiquei quatro anos parada porque, a cada temporada, mudávamos de cidade." Em Maringá, Fabiane é sócia da mãe, Carmen, em uma empresa especializada em organizar congressos e festas. "Temos eventos marcados até maio de 2002."Segundo ela, o negócio está crescendo e chegará à área de esportes. "Nossos clientes podem patrocinar um time de vôlei na cidade", adianta a empresária, que organizará um amistoso entre Brasil e Cuba em Londrina. Mesmo sem representantes na elite do vôlei, Maringá ainda é recordista de público na Superliga - lá, Ricardinho já defendeu o extinto Cocamar. "Nossa empresa fatura bem. Meu salário é muitas vezes superior ao que o Ricardo ganhava no clube." Diz que é ela quem paga as contas porque prefere deixar aplicado o dinheiro que o marido acumulou na carreira, incluindo prêmios e a ajuda de custo da seleção.Mundial - Brasil, Argentina, Cuba, Itália Rússia e Iugoslávia serão cabeças-de-chave no Mundial da Argentina, em 2002. Os brasileiros estão no Grupo E, com os Estados Unidos. Os outros dois integrantes da chave serão definidos em sorteio, em outubro, na Argentina, segundo o ranking mundial. Na ocasião, os melhores jogadores do século 20 serão premiados pela Federação Internacional, incluindo Emanuel e Loiola, do vôlei de praia. No dia 21, em Berlim, no sorteio dos grupos para o Mundial feminino, será a vez de Jacqueline e Sandra receberem o prêmio de melhor dupla feminina.

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