Marco Bertorello/AFP
Marco Bertorello/AFP

Seleção masculina de vôlei vê em 2019 afirmação de Renan como técnico

Equipe abusa do fator sorte e vê pela primeira vez um "não-brasileiro" vestir sua camisa, o cubano Leal

Bruno Voloch, Especial, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 10h31

A última imagem da seleção masculina de vôlei em 2019 não retrata exatamente o que foi o seu ano. A conquista da Copa do Mundo foi importante principalmente no aspecto financeiro, mas é preciso ter uma boa dose de cautela e frear qualquer tipo de euforia. Os principais adversários não valorizam a competição como o Brasil, que esteve no Japão com sua equipe completa. A boa notícia ficou com conta da performance do treinador Renan. Ele passou no teste.

A conclusão que se chega é que o torneio não serve como parâmetro. Pensar diferentemente disso por causa do título é ilusão que pode custar caro lá na frente. No mais, em 2019, foi de sufoco, alguns alívios e poucos resultados expressivos. Ficamos mais uma vez pelo caminho na milionária VNL (Volleyball Nations League), vencida novamente pela Rússia. Em compensação, o grande objetivo da temporada seria alcançado a duras penas com a classificação para a Olimpíada do Japão. Foi uma conquista de forma dramática contra a Bulgária num jogo em que a seleção brasileira esteve perto de levar 3 a 0, salvando a bola da partida, e saindo literalmente do buraco para vencer por 3 a 2.

Roteiro que se repetiu no Sul-Americano quando o Brasil acabou precisando de 5 sets para ganhar da Argentina. Por muito pouco a hegemonia do continente não foi para o espaço.

A medalha de bronze no Pan de Lima não apaga a péssima imagem e a pífia participação do time B do Brasil, reflexo da falta de planejamento da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). O oposto Alan foi a maior revelação do ano. A única também. Veio para ficar e não por acaso acabaria sendo eleito o MVP da Copa do Mundo. Mérito de Renan Dal Zotto, que apostou na juventude e força física do jogador.

Mas 2019 também foi histórico para o vôlei masculino do Brasil. Pela primeira vez, o País viu um atleta naturalizado vestir a camisa da seleção, caso do cubano Leal. Jogador que pela categoria, técnica e explosão passa a ser fundamental no esquema do técnico Renan, ainda que a presença dele em quadra juntamente com Lucarelli mude a maneira de o Brasil atuar taticamente. Não dá para pensar na seleção sem Leal em Tóquio-2020.

Por sinal, o grupo que estará no Japão está quase fechado, 90% definido. Indefinição apenas em relação ao segundo levantador, terceiro central e quarto ponteiro. 2020 deve ser melhor.

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