Sem equipe, William vira empresário

William Carvalho, de 46 anos, terá um ano de férias forçadas. Ex-técnico do MRV/Minas, terceiro colocado da Superliga e campeão paulista por São Bernardo, não tem clube para comandar na próxima temporada. "Nem o prestígio do meu nome, 32 anos de vôlei, sendo oito como treinador, me ajudaram a conseguir um patrocínio para montar uma equipe", lamenta. Terá de se contentar em trabalhar na confecção da família, em Santo André, que ironicamente fabrica roupas esportivas para times de vôlei. "Vou continuar fazendo o uniforme do Minas, como fazemos de times de basquete e de escolas de primeiro grau. Hoje a fábrica é o meu ganha pão." O ex-levantador da seleção brasileira, medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, conta que a Prefeitura de São Bernardo ofereceu infra-estrutura para uma nova equipe. "O problema é que não tenho dinheiro, cerca de R$ 1,5 milhão, para a folha de pagamento das atletas." Contactou cerca de 20 empresas, que não puderam acrescentar um time de vôlei no orçamento desse ano. "A seleção masculina está em boa fase e a feminina deverá continuar no mesmo caminho. Mas, a realidade dos clubes é muito diferente." Não é à toa que William mostra-se preocupado com o futuro profissional. Outros treinadores sofrem do mesmo problema. Isabel, vice-campeã brasileira com o Vasco, negociou com a Prefeitura de Campos, mas foi Luizomar de Moura, ex-Flamengo, que acabou ganhando o cargo. Isabel, grávida do quinto filho, ficou sem time. João Crisóstomo (ex-São Caetano mas à frente da seleção paulista juvenil) está na segunda temporada fora da Superliga. Josenildo Carvalho, ex-técnico da seleção brasileira masculina, despediu-se das quadras em 1998/1999, quando esteve à frente do BCN. Teve de voltar para a terra natal, Recife, onde trabalha como gerente de esportes amadores do Sport. Radamés Lattari, também ex-seleção, montou uma consultoria esportiva no Rio, abrindo mão de convites da Espanha e Portugal. Marcelo Del Negro, o Alemão, ex-Unisul, foi substituído por Marcos Pacheco (ex-auxiliar-técnico da Ulbra) e Weber, que também continuará como levantador. Alemão foi para o vôlei de praia por falta de opção. Cacá Bizzocchi volta esta temporada para a elite do vôlei, para comandar o Palmeiras. Ficou dois anos fora do circuito e na temporada passada trabalhou no feminino de Bauru, da segunda divisão.

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