Sheilla e equipes protestam contra denúncias na CBV

Jogadores do Canoas e do Taubaté entram em quadra utilizando nariz de palhaço. Em seguida, times erram saque deliberadamente

Estadão Conteúdo

13 de dezembro de 2014 | 13h25

O coro de protestos contra as irregularidades cometidas na gestão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) só aumenta. Após nomes importantes do vôlei masculino do Brasil, como Murilo e Bruninho, manifestarem o repúdio sobre problemas em contratos da entidade, a bicampeã olímpica Sheilla também manifestou a sua indignação.

Sheilla é dos principais nomes da seleção brasileira feminina de vôlei há anos e atualmente joga pelo Vakifbank Istanbul, da Turquia. Mesmo longe do Brasil, criticou os problemas de corrupção no vôlei e também citou outros escândalos ocorridos no País.

"É lamentável tudo o que vem acontecendo no Brasil. Parece que a corrupção está em todos os lugares. A cada dia, novas denúncias! Mensalão, Petrobras e agora até o voleibol está na lista... Uma pena, porque perdemos nós atletas, perde o esporte que conquistou força internacional e credibilidade. Até onde vai essa impunidade? Coloquei essa foto em preto e branco em sinal de luto, tristeza...", escreveu Sheilla no seu perfil no Instagram, uma rede social de compartilhamento de fotos.

A capitã da seleção brasileira feminina de vôlei, Fabiana Claudino, também se pronunciou, via assessoria de imprensa, em relação aos escândalos envolvendo a CBV.

"Em relação às acusações que estão sendo feitas à CBV, venho me informando e avaliando todas essas denúncias com a seriedade e a gravidade que um assunto como este merece ser tratado. Deixo claro aqui, que apesar de capitã da seleção brasileira feminina de voleibol, não falo em nome de todos, falo apenas em meu nome, Fabiana Claudino, atleta da modalidade e também afetada por todos esses escândalos que ocorrem na entidade maior do vôlei nacional. Eu sou atleta desde muito cedo, devo muito do que tenho hoje ao esporte e ao meu país. Mas tenho princípios fortes e convicções de caráter que me foram passados em família, e quando vejo ou vivencio algo que me parece errado, não posso corroborar com isso. A justiça será feita, as provas estão aí e essa indignação que sentimos não pode nem deve ser ignorada. A imagem que nós atletas construímos no voleibol internacional é de respeito, amor ao esporte, dedicação e trabalho, muito trabalho, para que déssemos alegrias aos que nos cercam, a nós mesmos e ao povo brasileiro. Atleta nenhum joga em favor ou em nome de entidade, mas precisa que a mesma seja um suporte ao desenvolvimento do esporte. Pessoas que fazem parte de uma Confederação deveriam estar lutando junto conosco para o bem e para a evolução do esporte, ao invés de usarem artifícios para enriquecer de forma ilícita em cima da nossa luta diária que tanto valorizamos e suamos para conquistar. Esse ato me parece, no mínimo, um grande desrespeito. Desrespeito a nós atletas, desrespeito aos profissionais que vivem do voleibol e, principalmente, desrespeito aos amantes do esporte. A minha esperança é de que a justiça trabalhe para trazer a verdade e o esclarecimento de todos os pontos levantados na investigação. E mais ainda, o real desejo de que a Confederação, depois deste lamentável episódio, seja gerida de forma honesta e correta, para que escândalos como este não façam mais parte do esporte que tanto amo e me dedico. Nosso amor pelo voleibol sempre será maior do que qualquer ato ou forma de corrupção", declarou Fabiana.

Também neste sábado, uma partida da Superliga Masculina de Vôlei foi alvo de protesto contra as suspeitas de corrupção na CBV. Antes do início do confronto entre Canoas (RS) e Taubaté (SP), os jogadores das equipes entraram em quadra utilizando narizes de palhaço. Depois, os times erraram um saque deliberadamente.

Nos últimos dias, a Controladoria Geral da União (CGU) revelou em relatório ter detectado erros em 13 contratos da CBV, que atingem a soma de R$ 30 milhões em pagamentos feitos entre 2010 e 2013, quando a entidade era presidida por Ary Graça Filho.

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