Alexandre arruda/Divulgação - CBV
Alexandre arruda/Divulgação - CBV

Tandara mostra história emocionante e tenta ir aos Jogos de Londres

Atleta tenta no vôlei continuar os passos do pai, que parou de jogar para cuidar da mãe com câncer

Paulo Favero, estadão.com.br

25 Maio 2012 | 08h00

Tandara sabe que a disputa do Grand Prix é muito importante para ela colocar uma dúvida na cabeça do técnico José Roberto Guimarães. Como o comandante da Seleção feminina de vôlei vai poupar nas duas primeiras fases do torneio as jogadoras mais experientes, a oposto de 23 anos terá a chance de mostrar serviço e tentar garantir sua permanência no grupo para os Jogos Olímpicos de Londres. “Por que eu vou esperar 2016 se posso ir em 2012? Vou ralar muito, é um sonho disputar uma Olimpíada. Se eu estiver na lista dos 12, vou ficar muito feliz.”

Ela chegou à Seleção Brasileira no ano passado, após ter boas passagens pelas seleções de base. Na Copa Yeltsin, era reserva, mas quando entrou no time no lugar de Joycinha se destacou. “Cheguei a fazer 22 pontos numa partida”, conta. Também disputou o Grand Prix e, no Pan de Guadalajara, foi autora do ponto decisivo sobre as cubanas, que garantiu a medalha de ouro para o Brasil – o que não ocorria desde 1999.

O amadurecimento da menina nas quadras é nítido, mas ela confessa que ainda sente o peso de tudo que tem acontecido. “A expectativa está grande e o nervosismo até me atrapalha. Este é o ano em que eu estou mais ansiosa, então minha mãe passa tranquilidade”, revela a atleta, lembrando que a família tem uma grande influência em sua carreira.

Tudo começou com o pai, Evaldo, que praticava vôlei em Brasília. Era da mesma geração de Tande, que mais tarde viria a conquistar a inédita medalha de ouro olímpica, em 1992, nos Jogos de Barcelona. Só que Evaldo teve de encerrar precocemente a carreira.

Com os olhos cheios de lágrimas, Tandara cita a inspiração caseira enquanto sua voz vai desaparecendo com a emoção. “Meu pai era jogador em Brasília, mas ele teve de parar para cuidar da minha avó, que tinha câncer. Ele está realizando o próprio sonho através de mim, pois teve de abdicar do dele.”

Dessa forma, Tandara tem todo apoio possível para perseguir o sonho olímpico. “Tenho condições de jogar na saída e na ponta, mas acho que ainda posso melhorar muito.” Também tem em casa um porto seguro, onde ganha colo, carinho e pode falar de outras coisas quando não quer conversar sobre vôlei. “A família é muito torcedora, mas geralmente fica na dela, sabe respeitar.” O irmão também pratica o esporte, na faculdade.

Caçula entre tantas veteranas na seleção feminina, Tandara garante que foi muito bem acolhida pelas companheiras. Quando era mais nova, admirava Paula Pequeno. Mas sua maior inspiração sempre foi Elisângela, que disputou os Jogos Olímpicos de 2000 e 2004. “Ela é dez anos mais velha que eu. Inclusive, fazemos aniversário no mesmo dia. Eu nunca imaginei poder jogar ao lado delas. Na Seleção as jogadoras são ótimas e é bom participar disso com elas.”

Sem saber o significado de seu nome, que foi dado pela mãe a partir de uma palavra indígena, Tandara já fez seis tatuagens pelo corpo: no ombro possui três estrelas, em homenagem ao pai, à mãe e ao irmão. Também tem outras duas estrelas e uma rosa no pé. Nas costas, fez um grande dragão. “Ele é meu protetor”, avisa a garota.

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