Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Thiaguinho está pronto para assumir seu lugar na seleção de vôlei

Levantador do Sesc-RJ treina com o time B do Brasil de olho nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 05h00

Um jovem como tantos outros. Quando sobrava tempo, Thiaguinho gostava de jogar videogame, tocar violão, sair com os amigos e assistir a séries. Suas preferidas? Breaking Bad e Prision Break. Ultimamente, contudo, o atleta do Sesc-RJ nascido em João Pessoa, Paraíba, quase não tem conseguido tempo para essas coisas. Aos 25 anos, Thiago Pontes Veloso treina com a seleção brasileria masculina de vôlei. Tem um objetivo: disputar a Tóquio/20. 

Mais novo de três filhos, Thiaguinho (a turma do vôlei gosta de nomes no diminutivo) teve seu primeiro contato com o esporte com os irmãos Roberto Michel e Ylton. Aos 7 anos, sua mãe o matriculou em aulas de futsal, basquete, judô e vôlei. Com tantas opções, ficou sem saber qual escolher, gostava de todas. “Entrei no vôlei por causa do meu irmão mais velho, que tinha entrado também.” Até então, o vôlei era um passatempo na casa da tia Matilde.

“A grade ao lado do portão era a nossa rede. Até a calçada era a quadra dele e até o pé de manga era a minha. Passávamos a tarde jogando, a gente levava tão a sério que saía até briga”, relembra o atleta do Sesc.

A brincadeira ficou séria. Começou a se destacar na escola, mas só foi perceber que era acima da média quando, aos 11, ganhou bolsa em Recife para jogar pelo Colégio CEG, onde ficou por dois anos. Em 2007, fez teste ao lado do irmão mais velho para jogar no Centro Olímpico. 

“Foi minha mãe quem deu a decisão, meu pai não queria deixar. Ela o convenceu, falando que era o que a gente queria. Não recebíamos nada, só passagem de ônibus para São Paulo. Então, meus pais tiveram de se apertar financeiramente para pagar um quarto”, diz. Seu irmão ficou um ano na capital paulista. Além dos treinos puxados, a responsabilidade de ter de se virar sozinho e a saudade de casa quase o fizeram desistir. “Tinha de lavar roupa, cozinhar… comia pão com salsicha ou macarrão com salsicha na maior parte dos dias. Era o que sabia fazer.”

Quem não deixou o sonho ir por água abaixo foi Durval Nunes, o Duda, seu técnico na época. Ele o incentivou a continuar. “Estava querendo ir embora, com saudade, chorando, foi quando ele falou que de todos que estavam ali eu era o único que ele tinha certeza de que se tornaria profissional no vôlei.”

De lá para cá, Thiaguinho passou por muita coisa. Foi campeão sul-americano juvenil, ouro no Mundial Sub-23, prata no Mundial Juvenil, além de vice nos Jogos Pan-Americanos de Toronto com a equipe B. Até que o dia mais esperado chegou, com a convocação para a seleção. “É a realização de um sonho. Desde que saí de casa para jogar, o sonho era esse. Mas ao mesmo tempo isso foi uma frustração, pois não pude ficar.”

O levantador sofreu uma lesão em um bloqueio que fez em Ricardo Lucarelli, quando atuava pelo Sesi-SP. Quando foi para o clube italiano Exprivia Molfetta, o problema foi diagnosticado. “Na Itália, descobriram fratura no punho. Nada sentia.”

Recuperado após tratamento, aposta nos fundamentos para superar a “baixa estatura” de 1,85m. “Por ser baixinho, tenho de compensar na habilidade”. Ele foi um dos 12 atletas chamado por Renan para a seleção. “Quero ser campeão olímpico.”

 

 

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