Vôlei do Brasil busca título inédito

Decisão com sabor de revanche. O Brasil enfrenta a Rússia neste domingo, às 18h30 (horário de Brasília), em Buenos Aires, na final do Campeonato Mundial Masculino de Vôlei, disposto a se vingar. Por dois motivos: o primeiro é a derrota para os russos na final do Mundial de 1982, também na Argentina; e o segundo é mais recente, na decisão da última Liga Mundial, agosto, em Belo Horizonte, quando a seleção brasileira perdeu a medalha de ouro novamente para os rivais russos. O Brasil busca neste domingo o inédito título de campeão mundial. O mais perto que chegou até hoje foi justamente em 1982, quando perdeu para os russos na final, num time em que o técnico Bernardinho era o levantador reserva. Do outro lado, a Rússia já conquistou 6 títulos mundiais, mas todos ainda como União Soviética - o último foi exatamente o de 82.Os jogadores brasileiros estão gostando dessa coincidência. "Quem sabe poderemos vingar a derrota da Liga e a da final de 1982, quando o Brasil perdeu o Mundial para a União Soviética?", disse Gustavo. "Sonhávamos com uma final contra a Rússia.""A derrota na Liga está entalada na garganta e por isso, a motivação para vencer, que já não seria pouca, está redobrada", avisou Nalbert, o capitão da seleção brasileira. "É a nossa terceira final deste torneio. Primeiro foi com a Itália e depois, com a Iugoslávia", afirmou o levantador Maurício, lembrando das vitórias do Brasil nas quartas-de-final e na semifinal do Mundial.Além das coincidências históricas, o técnico Bernardinho reconheceu que preferia mesmo a vitória da Rússia sobre a França na semifinal. Segundo ele, enfrentar uma mesma equipe duas vezes na competição pode ser prejudicial. Foi assim na Liga Mundial. O Brasil havia vencido os russos com facilidade numa etapa anterior, mas perdeu na decisão. Neste Mundial, os brasileiros derrotaram os franceses, por 3 a 0, na segunda fase.O Brasil chega à decisão após ter perdido apenas um jogo no Mundial, para os Estados Unidos, ainda na primeira fase. Além da vitórias sobre Iugoslávia, na semifinal, e Itália, nas quartas-de-final, derrotou França, Holanda e República Checa.Já os russos repetem a campanha irregular da última Liga Mundial. Começaram a competição com apresentações duvidosas e quase foram eliminados. A Rússia perdeu duas das três partidas da primeira fase (para Bulgária e França) e classificou-se como um dos melhores terceiros colocados. Na segunda fase, cedeu dois sets para Espanha e outros dois para a Polônia, mas venceu ambos por 3 a 2. Nas quartas-de-final, superou a Grécia por 3 a 0. E, na semifinal, vitória por 3 a 2 sobre os franceses.Os russos têm um time com a maior média de altura do Mundial: 2,01 metros - a do Brasil é de 1,94 m. "O problema é o bloqueio. A Rússia tem um time bem nojento, chato mesmo para jogar", revelou Anderson, o grande responsável pela classificação brasileira para a final - entrou no primeiro set contra a Iugoslávia, virou o jogo e permaneceu até o fim. "Acho que vou começar no banco. Mas, se precisar, estarei pronto para entrar. Sinceramente, prefiro que não aconteça. Espero que o Brasil arrase a Rússia sem passar sufoco."?Em 43 anos de vida, disputei duas finais de campeonatos mundiais. Em 82, como jogador, e em 94, no comando da seleção feminina. Não ganhei nenhuma. Hoje, minha maior motivação é ser campeão do mundo?, avisou Bernardinho, que assumiu a seleção masculina em 2001 e desde então, o Brasil chegou a todas as finais dos torneios que disputou - ganhou seis e foi vice em duas. Premiação - Ao contrário da Liga, que dá ao campeão US$ 500 mil, no Campeonato Mundial não há premiação em dinheiro para o primeiro lugar. No entanto, está reservado um prêmio de US$ 100 mil para os primeiros colocados em cada fundamento. Maurício pode ganhar como melhor levantador. Nas estatísticas, André é o atacante mais eficiente. Henrique e Gustavo concorrem com o argentino Milinkovic no ranking dos sacadores.

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