Vôlei pode ter seguro-desemprego

Foi preciso um escândalo, o do calote aos atletas do Vasco e Flamengo, e a luta na Justiça do Trabalho da ex-líbero vascaína Sandra para atuar nesta edição da Superliga por um outro clube, para que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) pensasse em um mecanismo de defesa para os jogadores. A adoção de um seguro-desemprego ou a mudança no regulamento para permitir a troca de time na Superliga, por inadimplência, são as medidas que a CBV poderá adotar, na próxima temporada, para inibir atrasos de salários. O calote não é novidade e já foi enfrentado nas extintas equipes da UnG/Barueri, Trasmontano/Ribeirão Preto, Chapecó e Maringá. Atualmente, Sandra, que rompeu contrato com o Vasco em dezembro porque não recebia há quatro meses, só tem uma maneira de voltar a trabalhar com o que sabe e gosta: de posse de uma liminar. O advogado da atleta, Sérgio Lemos, explica que entrou na Justiça do Trabalho com uma medida cautelar para que Sandra termine a temporada jogando. E ainda com uma ação para que receba os atrasados, inclusive o 13.º salário e o fundo de garantia, além de premiações. O valor é cerca de R$ 50 mil. A jogadora tem proposta para atuar em dois times. De acordo com o advogado, a liminar pode ser concedida a qualquer momento, mas a CBV pode recorrer. "Não é muito fácil, mas é possível", declarou Lemos. A CBV assegurou que não existe possibilidade de o regulamento ser alterado nessa temporada para resolver casos de atletas do Vasco ou Flamengo. Mesmo assim, alguns jogadores, como Giovane, avaliam a possibilidade de deixar o clube, assim como a croata Natasa Leto, que iria jogar fora do Brasil. Denise descarta a hipótese de deixar o time. "É como uma doença, quando se detecta busca a cura", observou. Optou por esperar uma solução para receber o valor integral do contrato e não ficar parada. "Quem sabe, o time conte com a ajuda de ilustres vascaínos, um patrocinador para as costas da camisa." Sem amigo-secreto - "Eu não agüentava mais aquela situação. Nem o amigo-secreto do fim de ano a gente fez, porque tinha meninas sem dinheiro", disse Sandra, que ainda tem mágoa das críticas que recebeu, por ter "abandonado" a equipe. "Quando comuniquei que estava saindo, a Isabel (técnica do Vasco) disse que, se fosse atleta, faria o mesmo." Mas deixou claro que nem ela e nem a levantadora Fernanda Venturini, que incentivou a ida de muitas jogadoras para o Vasco, podem fazer isso. As atletas evitam comentar as dificuldades. Mas a rotina dos últimos meses criou um multirão de solidariedade. Quem tem dinheiro, ajuda quem não tem. Fernanda Venturini, Ida e Denise, as que estão há mais tempo na carreira e, portanto, possuem economias, emprestaram suas bicicletas para as juvenis Sassá, Cláudia e Jaline, que não tinham dinheiro para ir de ônibus aos treinos. As jogadoras com rendimentos mais modestos estão com salários em dia, segundo a levantadora reserva Dani. As que recebem salários altos tiveram o acerto referente ao mês de novembro. Recém-casada - Denise afirmou que a palavra de ordem é "economizar" e que o time ainda está unido porque vem fazendo uma boa campanha, é líder na Superliga. A levantadora Dani, de 21 anos, que ganha cerca de R$ 1,5 mil por mês, também adotou a economia. Apesar disso, já gastou parte da poupança que tinha desde o casamento com o preparador-físico Giovani Ciprandi e abriu mão das viagens a Campos, de carro, para visitar os pais. O atraso nos salários fez com que Giovani deixasse o Vasco para trabalhar com Maria, a filha de Isabel, no vôlei de praia.

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