Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

'Vou ficar ligada ao vôlei', diz Fofão prestes a encerrar a carreira

Levantadora diz que se preparou para o momento da despedida

Entrevista com

Fofão

Marcio Dolzan e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 07h00

A levantadora Fofão, 45 anos, fará a última partida de sua vitoriosa carreira no próximo domingo, às 10h, na final da Superliga de vôlei em que o Rexona-Ades enfrentará o Molico/Nestlé na Arena da Barra, no Rio. O duelo pode dar o derradeiro título à atleta que já tem três medalhas olímpicas no currículo, incluindo o ouro em Pequim.

Qual a sua expectativa para a final?

É muita ansiedade. É uma decisão com duas equipes que se conhecem muito bem, que já existe uma história de anos e anos disputando final. É uma expectativa muito boa, de um jogo difícil, mas por um lado a gente está feliz porque vai jogar em casa.

Qual a importância de uma levantadora numa decisão?

Vejo como fundamental para a equipe. Tem de tomar cuidado para não ser marcada, não ser neutralizada naquilo que a gente consegue fazer melhor. Ao mesmo tempo temos de nos concentrar, ter uma preparação muito boa, estar focada, para até mesmo tentar surpreender com alguma coisa nova. A levantadora, numa final, é o diferencial.

Como você avalia o retorno do Serginho à seleção brasileira masculina?

É uma pessoa experiente, e acho que ele vai ser muito útil para o grupo. Lógico que ele pensou em parar, voltou, mas acho que vai contribuir bastante. Não só pela experiência, mas também por ter vivido momentos em uma Olimpíada.

E se algo parecido acontecesse no feminino, e o Zé Roberto pensasse em convocar você novamente?

(Risos) Acho que falar dos outros é mais fácil... Eu nunca deixei isso aberto, essa possibilidade. Dificilmente ele conseguiria me convencer a aceitar uma nova convocação, mesmo que achasse que minha presença na seleção seria importante.

Há quanto tempo você se prepara para deixar as quadras?

Eu me preparei desde o começo desta temporada. Já tinha isso na minha cabeça, e independentemente do que acontecesse esta seria minha última temporada. Acho que consegui o que queria, porque estou muito tranquila neste momento. E para mim é o momento de maior intensidade das muitas sensações que ainda vou ter na minha vida. Estou com a cabeça bem tranquila.

Quais os planos para depois?

Ser uma pessoa “normal”. A gente vive numa rotina muito pesada, de muito estresse. Meu pensamento é relaxar um pouquinho de tudo isso, viver mais o meu casamento, a minha família. E, lógico, estar no meio do vôlei. É uma coisa de que eu gosto muito, que fiz a vida inteira, então não consigo me ver fazendo alguma coisa sem estar ligada ao vôlei.

Como a carreira influenciou na sua vida familiar?

Por jogar vôlei há tantos anos, minha vida pessoal sempre ficou em segundo plano. Quando me casei tentei deixar isso bem claro, que seria prioridade a minha profissão. E a gente abriu mão de tudo para eu me dedicar bem ao esporte. Consegui arrumar um marido (João Marcio, empresário) que entendeu isso, o que foi bem importante. Agora que vou parar, vou colocar a família em primeiro lugar.

Pensa em ajudar a seleção brasileira?

Sempre me coloquei à disposição. Apesar de ser um grupo que eu conheço, por ter vivido ali dentro e ter um pouco mais de liberdade, você sempre está à disposição para ajudar. Vai haver uma Olimpíada no Brasil, então acho que todo mundo que puder ajudar e apoiar de alguma forma será válido. E eu me coloco à disposição.

Você participou de cinco Olimpíadas, mas vai ficar de fora dos Jogos do Rio. Existe uma frustração por causa disso?

Ah, se a do Rio tivesse sido um pouquinho antes seria interessante (risos), mas não tem frustração. Já fui a cinco Olimpíadas, sei como é... Lógico que a sensação, a emoção de jogar no seu país deve ser completamente diferente, mas de alguma forma vou poder acompanhar. Isso, para mim, substitui essa vontade de estar jogando.

Qual foi o momento mais marcante?

De alguma forma todos são marcantes, mas para mim, para minha história, por tudo o que eu fiz, acho que a Olimpíada de 2008 (ouro em Pequim) é o auge da minha carreira.

Por quê?

Estava buscando isso a vida inteira, era minha última Olimpíada, estava me despedindo da seleção. Havia toda uma história por trás naquele momento, então quando você ganha medalha é como se todo o esforço tivesse valido a pena. Pela história, pela minha entrega, por tudo o que fiz pela seleção, acho que aquele momento não tem como ser mais especial.

O que faltou na sua carreira?

Ah, não consegui ser campeã mundial pela seleção. Fui por clube, mas pela seleção sempre bati na trave. Não dá para vencer tudo na vida, mas era um título que eu queria muito.

Quem você considera que pode ser sua sucessora?

A Dani Lins e a Fabíola. Elas estão no mesmo nível, e bem distantes das outras. Acho que elas são as jogadoras que vão ser a segurança do Brasil por algum tempo ainda.

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