CBV/Divulgação
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'Vou mostrar que posso ajudar a seleção brasileira', afirma Leal

Jogador, que nasceu em Cuba e se naturalizou para defender o Brasil, está perto de fazer sua estreia na equipe

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 04h30

Prestes a se tornar o primeiro estrangeiro a defender a seleção brasileira de vôlei, o cubano Yoandy Leal Hidalgo admite a ansiedade e até certa preocupação com a sua chegada ao time nacional. Mas garante se sentir cada vez mais brasileiro, principalmente agora que mora e joga na Itália. “A cultura do Brasil é mais parecida com a de Cuba”, diz o ponteiro de 30 anos, em entrevista ao Estado.

Leal poderá estrear com a camisa amarela hoje, na primeira partida da seleção na Liga das Nações. Os comandados do técnico Renan Dal Zotto vão enfrentar os Estados Unidos às 12h30, em Katowice, na Polônia. Na primeira semana da competição, que substituiu a Liga Mundial no ano passado, o Brasil enfrentará ainda a Austrália (dia 1.º) e a anfitriã Polônia (dia 2).

Se entrar em quadra em um destes três jogos, Leal vai encerrar uma “novela” que se arrasta há pelo menos quatro anos. Um dos destaques da seleção cubana, quando ainda tinha apenas 18 anos, Leal desembarcou no Brasil em 2012 para defender o Cruzeiro. O rápido sucesso e a boa adaptação ao País logo deu lugar a rumores sobre uma possível convocação para a seleção brasileira. 

Este processo teve início com sua naturalização, em 2015. Dois anos depois, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) oficializou seu interesse em convocar o atleta e fez o pedido formal à Federação Internacional (FIVB). A entidade acatou o pedido em maio do mesmo ano, o que deu início a uma quarentena de dois anos, que chegou ao fim neste mês. 

Enquanto se credenciava para uma eventual convocação, Leal passou a enfrentar certa resistência de colegas de quadra. O ponteiro Lipe foi um dos poucos que se manifestaram publicamente ao afirmar que a equipe nacional nunca precisou de estrangeiros. 

“Levei na boa as declarações porque eu sabia que esta reação iria acontecer. Tratei de fazer o meu trabalho o melhor possível quando estava no Cruzeiro”, afirma Leal, que admite certo receio em sua chegada ao time. “Acredito que alguns jogadores não estão de acordo com a minha convocação e não sei como vai ser. Mas espero que seja bem recebido pelos atletas e pela comissão técnica”, afirma Leal. 

A resistência à convocação do cubano foi sendo minada aos poucos diante das boas performances do cubano na Superliga. Foram cinco troféus na principal competição nacional, além de três títulos mundiais (2013, 2015 e 2016) com a camisa do Cruzeiro, time que defendeu até o ano passado. 

Leal quer agora repetir este desempenho na seleção para neutralizar de vez as críticas. “A única coisa que eu posso fazer é mostrar que posso ajudar.” E, para mostrar serviço, ele se diz consciente de que enfrentará pressão maior que qualquer outro estreante. “A princípio, vai ser difícil. Digo isso porque faz tempo que não jogo numa seleção. E não sei como funciona a equipe. E também porque sou estrangeiro. É uma situação complicada. Vou ter que enfrentar isso. Vou enfrentar um pouco mais de pressão, mas me sinto preparado e confiante.”

O trunfo de Leal em sua chegada à seleção é o levantador Bruninho. Os dois jogam juntos no Civitanova, da Itália, há um ano e já conquistaram o título italiano e europeu. “A nossa relação é boa. Somos sempre companheiros de quarto. Temos uma boa comunicação. Espero que (com ele) as coisas sejam um pouco mais fáceis na seleção, no início. Aqui foi um pouco difícil no começo, mas isso é normal.”

No ano passado, Leal deixou o Brasil para jogar na Itália. Porém, a mudança de país não alterou a nova identidade do atleta. “Joguei seis anos no Brasil, em Belo Horizonte, me acostumei com a cultura, com a forma de viver no Brasil. Me sinto um brasileiro”, diz o jogador nascido em Havana.

Ele revela sentir falta “de tudo” no Brasil. “A Itália é um país estranho. O clima entre as pessoas é diferente, a cultura é diferente. É tudo ao contrário ao Brasil. Sinto falta de tudo do Brasil. Aí as pessoas me ajudavam a falar a língua, tentavam me entender. A cultura era parecida com a de Cuba. A adaptação para o Brasil foi mais fácil”, diz, em entrevista por telefone, da Itália. 

E elege a comida como o maior foco de sua saudade. “Para comer alguma coisa aqui, é tudo diferente”, afirma, ainda com forte sotaque espanhol em suas palavras em português. “Sinto falta do feijão, do churrasquinho, do queijo. Tudo coisa boa.”

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