Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV
Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV

Walewska tenta levar o Praia Clube ao título da Superliga de Vôlei

Central de 38 anos está confiante em superar o Sesc-RJ neste domingo, em Uberlândia, na decisão

Ananda Portela / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2018 | 07h00

Ouro e bronze olímpicos, ouro e prata pan-americanos. Essas são as principais conquistas de uma das mais importantes jogadoras de vôlei do mundo que vai postergar sua aposentadoria. Há três anos no Praia Clube, de Uberlândia, Walewska Oliveira não vai se aposentar nesta temporada da Superliga. O Praia disputa a decisão contra o SESC-RJ de Bernardinho. A equipe carioca venceu o primeiro jogo em casa e domingo, em Minas, o time mineiro tem a chance de conquistar o título. O jogo será às 9h10, no ginásio Sabiazinho. Caso o Praia vença a partida, mais um set de 25 pontos será disputado. Aos 38 anos,a capitã da equipe está confiante para a final.

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Em 2017, a Walewska afirmou que terminaria sua carreira para se dedicar à gravidez. Mudou de ideia. “Eu pensava muito em ter filho e por isso disse que pararia. Mas como minha performance foi boa e fisicamente respondi bem, resolvi continuar por mais uma temporada”, afirmou a atleta ao Estado.

A decisão da jogadora, no entanto, não depende do desempenho do time na decisão. “O resultado não influencia. Na verdade é pela minha forma física e pelo meu desempenho”.

Em casa, o Praia tem tido bons resultados. Na semifinal contra o Osasco, a equipe mineira ganhou os três jogos disputados em Uberlândia e levou a série por 3 jogos a 2.

Quinta maior bloqueadora da Superliga, Walewska, aos 38 anos, chama atenção pela disposição e talento, além do preparado físico. “É uma receita que sigo há anos e é por isso que ainda jogo em alto nível”, diz. Pilates e natação fazem parte da sua rotina, que tem treino diferenciado do restante das jogadoras.

Ela defende que seu legado não são suas medalhas, mas o exemplo de atleta que é. “Eu sou atleta, vivo como atleta. É satisfatório quando alguém me elogia pela minha dedicação. É isso que vou deixar ao esporte brasileiro.”

Nascida no bairro do Jaraguá, em Belo Horizonte, Walewska começou a carreira no Minas Tênis Clube, uma das equipes mais tradicionais da modalidade no Brasil. Aos 16 anos, já jogava pelo time principal do Minas e passou a ser convocada para a seleção infantojuvenil e, posteriormente, a principal.

Aos 17, a mineira recebeu a ligação que seria uma das mais importantes de sua vida: o técnico Bernardinho convidando-a para jogar pelo Rexona, em Curitiba. “Foi a primeira vez que morei longe de casa. Tive de aprender a me virar sozinha, mas já estava em um time profissional, contratada, tinha uma perspectiva diferente.”

A meio de rede, ainda aos 17 anos, foi convocada para a seleção principal, que na época também era comandada por Bernardinho. “Fiquei cinco anos no Rexona com ele e fui para todas as seleções. Com 19, joguei minha primeira Olimpíada como titular eme Sidney (2000).”

uatro anos depois, em Atenas, a equipe sofreu derrota emblemática. Na época sob o comando de José Roberto Guimarães, o Brasil vencia a Rússia por 24 a 19 no terceiro set. Mais um ponto e a seleção marcaria presença em inédita final olímpica. Depois de uma sequência de erros do time brasileiro, as russas viraram, não só o set, mas o jogo, e venceram por 3 a 2.

“Foi muito sofrido perder em 2004. O famoso 24 a 19. O processo de superação foi difícil, mas acho que a gente tem de merecer ser campeã olímpica. E naquele ano, faltou alguma coisa.” Por mais que ela estivesse focada na conquista inédita, faltava algo que unisse o time e que fizesse as meninas alcançarem o mesmo patamar.

PEQUIM

Em 2008, a situação era completamente diferente. Eram 12 jogadoras unidas, dispostas e focadas a conquistar o ouro nos Jogos de Pequim. As mais experientes do time, Walewska e a capitã Fofão, tiveram papel fundamental na união e trabalho em equipe. “Eu e a Fofão conseguimos fazer com que o grupo entendesse que o caminho era aquele e não tinha outro.” Na final, o Brasil venceu os EUA por 3 a 1 e enterrou o estigma negativo de 2004.

A conquista da medalha olímpica foi sem dúvidas um dos momentos que mais marcaram sua carreira. Porém, ela conta que o significado do feito vai além da medalha no peito. “A medalha é simbólica, mas tudo começa antes”, diz, referindo-se ao processo de preparação física e técnica, período longe da família e renúncias feitas ao longo da história no vôlei. “Quando penso na medalha, penso em toda a trajetória, nos anos que passei fora de casa. Passa um filme da sua vida e isso tudo não pode se resumir em uma medalha.”

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