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Zé Roberto confirma dedicação exclusiva à seleção brasileira

Treinador brasileiro deixa o comando de equipe italiana e recusa convite feito pelo São Caetano/Blausiegel (SP)

Daniel Brito - Jornal da Tarde,

30 de abril de 2009 | 19h01

José Roberto Guimarães garante que é uma coincidência o fato de voltar a morar no Brasil, após três anos e meio na Itália, no mesmo momento em que o vôlei feminino verde-amarelo passa por um paradoxo.

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De um lado o Osasco, cidade pela qual já foi campeão brasileiro, precisou de ajuda governamental para não perder seu time profissional. Do outro lado, São Caetano/Blausiegel (SP) fez uma proposta alta para tê-lo como comandante na próxima Superliga, mas Zé Roberto, gentilmente declinou.

O momento agora, segundo confirmou ao JT em entrevista por telefone, é de "estudar os adversários, estar mais perto das jogadoras que podem ser convocadas, correr o mundo." É hora de ser técnico exclusivo da seleção brasileira feminina, atual campeã olímpica.

Por que optar pela exclusividade em um ano pós-olimpíada?

Independentemente de resultados, foi uma questão familiar. Quero me concentrar na seleção brasileira, porque é um ano pré-Mundial. Ficar fora do Brasil cansa, também. Vou poder vir para à Europa para ficar próximo de algumas jogadoras, posso ir à Rússia ver como está o campeonato lá. O mesmo aqui na Itália, na Espanha, na Turquia. Dividindo as atenções com um clube, eu não teria esse tempo.

O Scavolini Pesaro já sabia dessa ideia de retornar?

O Pesaro já sabia, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), também. Quando nos reunimos em São Paulo para disputar a Copa Salonpas, o pessoal do clube já sabia que este seria meu último ano no Pesaro. Mas eu não fecho a porta para nada. Ninguém sabe o dia de amanhã, posso voltar.

Por que você não optou por dirigir o São Caetano na próxima temporada?

Foi muito difícil dizer não a um clube brasileiro que tem um projeto e conta com jogadoras que tenho um carinho muito grande, como a Sheilla, Fofão e a Mari. Disse ao Marcelo Hanh (dono da Blausiegel, empresa que patrocina o São Caetano) que poderia até ajudar, mas preferia me dedicar à seleção, até como uma opção de vida, mesmo. Quero estudar mais, aprender com os principais adversários. Certa vez fui a um campeonato na Sérvia e ao final do jogo jantei com o treinador da seleção da Sérvia e da Rússia. Quando estou em um clube, não tenho condições de fazer isso.

Falando em seleção, porque a levantadora Carol ficou de fora de sua convocação para o torneio de Montreux, na Suíça?

Carol foi reserva da Fofão em Pequim porque era ideal para aquele momento. Agora ela tem que continuar correndo atrás da convocação. Ainda não está definido se vamos trabalhar neste ciclo com duas levantadoras do mesmo nível ou com atletas de níveis diferentes, tipo número 1 e número 2.

Mas a Ana Tiemi, reserva da Carol em Osasco foi confirmada no torneio de Montreux...

Não tive tempo de trabalhar com a Ana no ciclo que passou. As demais tiveram um período na seleção. Até a Dani Lins, que vai para Montreux, ficou conosco um tempo. O importante é lembrar que elas vão ter chance. Temos que ver como elas vão se comportar. O Brasil está bem de atacante e líbero, mas é carente de levantadoras. Essa posição precisa de experiência, por isso planejo fazer 150 jogos até os Jogos de Londres (2012).

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