JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Com elenco reduzido, cansaço vira um dos motivos da queda do Corinthians

Na reta final da temporada, jogadores mostram esgotamento físico, ficam irritados e inseguros e, com elenco enxuto, Carille tem poucas alternativas

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 07h02

O Corinthians tem um adversário extra na reta final do Campeonato Brasileiro. Além de encarar o Palmeiras, o time de Fábio Carille luta contra o cansaço físico, que desencadeia também uma fragilidade mental. Para deixar a situação ainda mais preocupante, a falta de opções e o elenco enxuto não dão ao treinador muita perspectiva de alterar o quadro. 

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Uma das virtudes do Corinthians no primeiro turno se tornou um problema na segunda metade do Brasileirão. A repetição do time e as poucas mudanças na escalação quando foi preciso fazem com que os atletas sofram para conseguir manter o ritmo de outrora. Consequentemente, se irritam ou ficam mais abatidos quando tentam fazer algo e as pernas não obedecem.

Esse é o principal problema detectado pela comissão técnica, que a partir de hoje passará a trabalhar visando o clássico com o Palmeiras e vai tentar administrar o problema.

Dos 20 times da Série A, o Corinthians é quem utilizou menos jogadores no torneio. Foram apenas 27. Para se ter uma ideia, o maior no quesito é o Grêmio, que escalou 40 atletas. O Palmeiras, principal concorrente pelo título, contou com 31. O Corinthians fez 64 jogos na temporada.

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O problema é que, dos 27 jogadores, dois deles já deixaram o clube - Clayton e Léo Jabá – e 15 já atuaram em pelo menos 19 jogos, o equivalente a um turno. 

Os dados deixam claro a limitação numérica do elenco alvinegro. Para o clássico com o Palmeiras, Carille admite a possibilidade de mexer no time. Ele estuda colocar Clayson (que já fez 24 jogos) no lugar de Romero ou Jadson (ambos fizeram 25 partidas). 

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Nos bastidores, é sabido que a limitação do elenco também é técnica. Carille conta, no total, com 33 jogadores, mas não consegue ter o retorno esperado de todos eles. 

Além da sequência de partidas, o fato de alguns importantes jogadores terem sofrido lesões ao longo da temporada também atrapalha. Pablo, Guilherme Arana, Jadson e Rodriguinho foram alguns dos atletas que precisar passar pelo departamento médico.

Falta cabeça. Existe também a preocupação com o aspecto psicológico. A comissão técnica tem observado que jogadores estão demonstrando muita insegurança com a bola no pé. Romero e Jadson são alguns deles. A visão é que eles estão sentindo a queda de rendimento, mas também sofrem por não conseguirem manter o ritmo do primeiro turno.

Para complicar mais a situação, na madrugada de domingo para segunda-feira os muros do Parque São Jorge foram pichados com frases xingando os atletas e cobrando o elenco. 

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Foram escritas duas frases com ameaças: “Acabou a paz!’’ e “Ou joga por amor ou por terror’’. Também foi escrita uma ofensa, dirigida aos jogadores. “Vagabundos’’.

Além disso, as torcidas organizadas estão conversando e existe uma grande possibilidade de irem protestar no CT Joaquim Grava nesta semana. Na quarta-feira passada, dez membros da Gaviões da Fiel tiveram uma reunião com a diretoria e alguns jogadores.

 

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