Flamengo perde a chance de mostrar sua grandeza às famílias dos garotos mortos no seu CT

Flamengo perde a chance de mostrar sua grandeza às famílias dos garotos mortos no seu CT

Chega a ser humilhante e vergonhosa a discussão do valor oferecido a pais e mães dos dez meninos mortos no Ninho do Urubu

Robson Morelli

20 de fevereiro de 2019 | 11h13

O Flamengo tem hoje a opinião pública contra ele. De norte a sul do País, duvido que alguém concorde com o discurso dos seus dirigentes sobre a possível indenização às famílias dos dez meninos mortos dentro do seu centro de treinamento, o Ninho do Urubu, que comoveu o Brasil e gerou repercussão no mundo inteiro por parte da comunidade esportiva. A tragédia foi uma das mais dolorosas para o torcedor brasileiro dos últimos anos. O Flamengo oferece, de acordo com o Ministério Público e órgãos competentes que tentam mediar o caso, indenização “irrisória” a pais e mães que perderam seus filhos no incêndio. O Flamengo sugeriu indenizações parecidas às negociadas após o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que vitimou mais de 200 pessoas. Nas discussões deste caso, os valores estipulados vão de R$ 20 mil a R$ 100 mil por pessoa.

Esse é o valor que o Flamengo está disposto a pagar pela vida dos meninos que treinavam no futebol de base do clube. “Oferecemos valores maiores do que os praticados às famílias da Kiss”, informa o Fla. Nenhum dinheiro vai trazer os meninos de volta. Nenhum dinheiro é suficiente para aplacar a dor no coração de mães que perderam seus filhos de forma tão trágica. Mas o mínimo que o clube poderia fazer era pagar uma indenização boa para dar aos familiares um pouco de conforto financeiro. Todos os meninos mortos tinham o sonho também de ajudar seus familiares com o futebol.

O Flamengo trata o caso, uma semana depois da missa de 7.º dia dos meninos que tinham entre 14 e 16 anos, como se eles não valessem nada. Ora. Estamos falando de um dos clubes mais ricos do mundo, cuja estimativa de faturamento é de R$ 750 milhões nesta temporada, cujo investimento em apenas três jogadores para o time principal foi de R$ 108 milhões. Se o Flamengo oferecesse R$ 5 milhões para cada mãe desses meninos, ainda assim seria dinheiro que não curaria a dor da perda. É isso que está em jogo. Dez vidas.

Dessa forma, o Flamengo perde a chance de trazer a opinião pública para seu lado, envergonha a grandeza de sua bandeira e a honra dos inúmeros craques que vestiram sua camisa ao longo da história. Mas digo, o Flamengo não é feito por essas pessoas que o representam neste momento. O Flamengo é muito mais.

Para não dizer que não contribuímos com ideias, bastava o MP ou a Justiça ou quem quer que seja de direito decretar que a renda dos próximos dez clássicos do Flamengo no Maracanã seja revertida para cada uma das dez famílias que ainda choram, e vão chorar para sempre, a morte de seus meninos. Poderia ser uma saída e certamente tudo seria resolvido neste ano ainda. Se o caso for para a Justiça, pode demorar até dez anos.

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