Caio Marcelo/Criciúma
Caio Marcelo/Criciúma

Após saída conturbada do Flamengo, Pelaipe quer transformar São Caetano em protagonista

Dirigente contou ao 'Estado' os desafios com o time do ABC e falou em 'falta de respeito' com saída do clube carioca

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2020 | 18h00

Em 11 dias, Paulo Pelaipe deixou o Flamengo, que acabara de ser vice-campeão mundial, e foi comandar o departamento de futebol do São Caetano, na Série A2 do Campeonato Paulista e na Série D do Brasileiro. A saída do clube carioca aconteceu de maneira conturbada, via e-mail, por motivos políticos, depois de ter acertado a renovação de contrato por mais um ano. O dirigente não esconde o descontentamento com a forma que deixou o cargo de gerente de futebol do Flamengo, mas quer esquecer o passado e foca em um novo objetivo: fazer o São Caetano voltar a ser protagonista em São Paulo.

Pelaipe foi avisado de que seu contrato não seria renovado no dia 6 de janeiro. Sem citar nomes, ele disse que há muita vaidade nos bastidores do clube carioca e falou em falta de respeito por ter sido comunicado por e-mail. Pelaipe deixou o Flamengo por causa da influência do vice-presidente de relações externas Luiz Eduardo Baptista, o Bap.

"Minha renovação de contrato já estava acertada com o (vice de futebol) Marcos Braz, que é um grande amigo, uma pessoa muito correta, ainda conversamos sempre. Não cito nomes, não sei se foi o presidente (Rodolfo Landim) ou um vice que tem muita influência que queria enfraquecer o Braz. Recebi um e-mail do RH dizendo que o contrato não ia ser renovado. Não guardo mágoa, mas as pessoas precisam ser tratadas com decência. Ter anunciado a renovação e depois tratar por e-mail foi uma falta de respeito. O clube pode ser muito grande dentro de campo, mas fora alguns dirigentes precisam respeitar mais as pessoas", afirmou Pelaipe, em entrevista ao Estado.

Ainda sem citar nomes, Pelaipe voltou a criticar o ambiente do Flamengo. No fim de 2019, mesmo com os títulos brasileiro e da Libertadores, além do vice mundial, o clube passou por crise política. De um lado estavam Pelaipe, Marcos Braz e o diretor-executivo Bruno Spindel. Do outro, Bap pressionava o presidente Landim a demitir o então gerente de futebol.

"Algumas pessoas que acham que são bem sucedidas pensam que todos são dependentes, mas não é assim. Educação não nivela pelo dinheiro no bolso, mas sim por outros valores. Tem muita prepotência e vaidade", disparou Pelaipe.

Após deixar o Flamengo, o dirigente foi procurado pelo presidente do São Caetano, Carlos André de Freitas Lopes, para comandar o departamento de futebol em um ano importante para o clube. Em 2020, o Azulão voltará a disputar a Série D do Campeonato Brasileiro depois de ter conquistado a Copa Paulista em 2019. Em relação ao Estadual, o time do ABC está na Série A-2 e busca retornar à elite. Pelaipe aceitou a proposta e assinou contrato até o fim deste ano.

"Estamos iniciando, analisando, vendo as coisas. O clube quer voltar a ter uma condição de protagonista do futebol paulista, algo que já foi antes, quando conquistou o título estadual (em 2004) e foi vice da Libertadores (2002). Temos de fazer as coisas com calma, no futebol precisa ter paciência. Um clube que vem em queda não consegue se recuperar com estalar dos dedos. Estou me inteirando das situações e conhecendo as dificuldades do clube para depois apontar as alternativas para o melhor caminho", disse.

Pelaipe afirmou ter recebido propostas de outros clubes, mas tinha o desejo de morar em São Paulo, onde sua família já vivia. Além disso, o dirigente classificou São Paulo como o "melhor mercado do futebol" por causa dos times e da Federação Paulista.

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