Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Argentina enfrenta seus fantasmas e o Paraguai para evitar uma nova crise

Messi e seus companheiros de seleção lutam para evitar mais um vexame

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2019 | 10h54

A seleção argentina entra em campo nesta quarta-feira em busca de três pontos que representam muito mais do que simplesmente seu primeiro resultado positivo na Copa América. Uma derrota diante do Paraguai, às 16h (horário de Brasília), no Mineirão, pode representar mais uma crise para a equipe argentina, que não sabe o que é levantar uma taça há 26 anos. 

Ainda tentando encontrar explicações para a fracassada campanha na última Copa do Mundo, os argentinos tiveram que ver sua seleção perdendo novamente no primeiro jogo oficial após o Mundial. A Colômbia sobrou em campo, fez 2 a 0 e fez com que novos questionamentos surgissem na seleção azul e branca. Lionel Messi, Scaloni, Maradona, dirigentes? De quem é a culpa para o que acontece com o time que já foi um dos mais temidos do Mundo e hoje é motivo de desconfiança e descrença por quase todo mundo. O Estado destaca alguns dos pontos que podem ajudar a explicar o que acontece com os "hermanos". 

MESSI É VÍTIMA OU O CULPADO PELA CRISE?

Lionel Messi vive um situação curiosa e é motivo de discussão na Argentina. Há quem o defenda e diga que ele é uma vítima por jogar ao lado de atletas que não possuem a mesma capacidade dele, mas há também quem o aponte como um dos responsáveis pela falta de protagonista do time argentino, pois lhe falta maior vibração e postura de líder em campo. Pouco antes de começar a Copa América, o craque do Barcelona esbanjou sinceridade.

“Temos a mesma vontade de sempre, mas a realidade é que a Argentina está passando por um processo de renovação. Para a maioria dos jogadores, é a primeira competição oficial e por isso não somos candidatos como outras vezes. Chegarei à Copa América mais cansado e frustrado mentalmente do que fisicamente, por causa da eliminação para o Liverpool”, disse o atacante, que falou para a TV argentina Tyc Sports e parece querer ajudar o técnico Scaloni nos treinamentos

TÉCNICO LIONEL SCALONI E SUA INEXPERIÊNCIA

Comandar uma seleção cheia de astros como a da Argentina não é para qualquer um. E o estreante e inexperiente Scaloni parece sentir isso na pele. Com apenas 41 anos, ele estreou como treinador já dirigindo a seleção. Ele assumiu interinamente a vaga no lugar de Jorge Sampaoli, que deixou o time após o Mundial, e acabou sendo promovido. Ciente da dificuldade que está tendo, ele tem recorrido a antigos aliados para tentar conquistar bons resultados

No site da Conmebol foi divulgado um vídeo que ajuda a explicar a diferença tática e de posicionamento entre colombianos e argentinos no jogo de estreia das duas seleções na Copa América.

A falta de experiência do treinador é um do pontos mais citados pelos jornalistas e torcedores argentinos e constantemente motivo de críticas, dentre outros pontos, pela questão tática. Para o jogo com o Paraguai, ele deve mexer no time

DRAMAS ANTERIORES

A sucessão de vexames parece atingir psicologicamente a atual seleção.  Vale lembrar que na Copa da Rússia, o desempenho foi pífio. A seleção venceu apenas um jogo (contra a Nigéria), empatou outro (Islândia) e perdeu dois (Croácia e França). E os argentinos já tinham chegado no Mundial em baixa por resultados e atuações pouco convincentes. Como por exemplo, quando levou de 6 a 1 da Espanha, em março do ano passado, em amistoso preparatório para o Mundial. Na Copa América, a Argentina vem de dois vice-campeonatos seguidos e perdidos para o Chile. 

O QUE DIZ A IMPRENSA ARGENTINA

Os jornalistas argentinos se dividem sobre o futuro da seleção argentina, mas seguem caminhos mais ou menos parecidos quando apontam os problemas do time nacional. A falta de experiência do treinador e a incompetência dos dirigentes da AFA são alguns dos pontos que ajudam a explicar o que acontece. O Estado ouviu três jornalistas argentinos para eles darem seus pontos de vista. 

Pedro Andrisani, rádio AM 680 - LT3

O que acontece com a seleção argentina não é por acaso. Erros seguidos da diretoria e dos dirigentes da AFA causam tudo isso. Temos jogadores que estão em grandes clubes da Europa, mas não conseguem jogar como um time. Temos um treinador que não está à altura da seleção e que não tem experiência alguma. Temos um futuro sombrio. A argentina perdeu a confiança e a credibilidade e precisa de uma reestruturação séria no futebol. Precisamos de um técnico comprometido e de um elenco que queira jogar na seleção e não que é convocado apenas por nome.

Iñaki Goyeneche, jornal Olé

Não tivemos a estreia que a gente esperava, mas também não é algo que chega a surpreender. Pelos momentos das seleções, a Colômbia era favorita contra a Argentina. A seleção argentina chega renovada, com muitas mudanças que precisam ser feitas, após tudo que acontece durante a Copa. Creio que contra o Paraguai e o Catar a Argentina vai ganhar e eu coloco a seleção como uma das favoritas ao título. A Argentina tem o Messi e o Brasil não tem o Neymar. Isso pode fazer a diferença. Penso que justamente pelos fracassos ocorridos recentemente, a Argentina não chega tão pressionada como em outras ocasiões. Hoje, ninguém espera que a Argentina vá fazer algo e isso pode ser positivo. 

Aquiles Cadirola, rádio Mitre Rosario

Creio que a seleção tem um treinador que ainda não conseguiu definir o time e não tem uma ideia clara de jogo. Contra a Colômbia, por exemplo, foi uma formação muito estranha, com jogadores sendo escalados em posição errada. A gente sabe que eles podem render mais. Um dos erros foi colocar o Lo Celso pela direita, mas a gente sabe que ele rende mais pelo meio, como aconteceu contra a Nicarágua. Falta também um volante central de marcação. Mas acredito que a Argentina não vai ser eliminada, pois deve ganhar do Paraguai e do Catar, mas vejo um futuro complicado na sequência da competição. 

MARADONA: O ÍDOLO QUE AUMENTA A PRESSÃO

Maior jogador da história do País e ex-técnico da seleção, entre 2008 e 2010, Maradona sabe que quando dá opinião, sua palavra tem muito peso, mas ele parece não se preocupar em causar tumulto na seleção. Tanto que várias vezes já fez críticas duras ao time nacional. Após o jogo contra a Colômbia, por exemplo, ironizou a equipe de Scaloni. "Você percebe hoje que Tonga (202ª no ranking da Fifa) pode ganhar de nós. Há um prestígio que construímos com chutes e com socos. Quem se lembra de 2012, quando todos saímos do Peru com o ônibus destruído? O que sobrou de tudo isso? Qual é a camisa?, disse o ex-jogador, em áudio divulgado pelo canal de TV argentino TyC Sports.

 

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