Thibault Camus / AP
Neymar está próximo de voltar ao Barcelona. Thibault Camus / AP

Barcelona impõe condições para volta de Neymar

Para retornar, ele terá de aceitar uma diminuição de salário, retirar queixa judicial e ainda dizer que errou ao deixar o clube

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 04h30

O Barcelona impôs três condições para Neymar voltar ao clube. A primeira é a redução do salário de R$ 130 milhões (30 milhões de euros) que recebe anualmente do time francês. A segunda é que o brasileiro retire o processo por um bônus de renovação não pago no valor de  26 milhões de euros (R$ 112 milhões). A terceira condição é que Neymar admita publicamente o desejo de voltar e que errou ao deixar o clube em 2017. Pessoas próximas ao craque afirmam que ele está disposto a aceitar os termos do clube catalão.

Existem outros complicadores. As diretorias do PSG e do Barcelona não se bicam. O clube catalão teria assediado Thiago Silva, Marquinhos, Verratti e Di María ainda sob contrato. A "vingança" do PSG foi a contratação de Neymar. Por isso, o PSG deve pedir alto. Segundo o jornal Le Parisien, o clube quer 300 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão). O brasileiro foi contratado por 222 milhões de euros (R$ 819 milhões).

O presidente Josep Maria Bartomeu gostaria de envolver alguns jogadores como Umtiti, Dembélé e Rakitic, que valeriam cerca de R$ 1 bilhão, mais uma quantia de cerca de R$ 450 milhões. O nome de Philippe Coutinho é o ás que o clube catalão tem na manga. O meia interessa ao clube francês desde a chegada de Neymar, e está em baixa no Barça.

O outro empecilho é o acordo extraoficial com o atacante Antoine Griezmann. O clube espera até o dia 1.º de julho para comprá-lo, quando sua multa rescisória cairá de 200 milhões de euros (R$ 867 milhões) para 120 milhões de euros (R$ 520 milhões).

O Estado apurou que os dois lados (PSG e Neymar) consideram a passagem do jogador frustrante. Neymar se decepcionou com o nível técnico do futebol francês e com a conivência dos árbitros com as faltas. "Eles deixam bater e saio como culpado", reclamou para um jogador do elenco do PSG.

Segundo o Mundo Deportivo, Neymar enviou uma mensagem para o mandatário com o seguinte teor: "Não quero jogar mais aqui. Quero voltar à minha casa de onde nunca devia ter saído". Após essa mensagem, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, fez um duro contra-ataque à revista France Football dizendo que o atacante Neymar "não foi obrigado a assinar contrato com o PSG".

O clube também tem suas queixas. Neymar teve atitudes polêmicas dentro e fora do ambiente do time. Ele deu um tapa num torcedor do Rennes depois da final da Copa da França. Além disso, foi suspenso dos três primeiros jogos da próxima Liga dos Campeões por ter criticado numa rede social o árbitro na partida diante do Manchester United em Paris.

Internamente, Neymar entrou em atrito com os jovens do elenco (leia-se Mbappé) ao afirmar que "falam muito e ouvem pouco" e discutiu com o alemão Draxler, quando teria dito ao colega: "quem é você para reclamar de mim?" Depois disso, dirigentes do PSG constataram que o vestiário é pequeno demais para dois astros que querem o prêmio de melhor jogador do mundo.

No Brasil, Neymar é acusado de estupro, agressão e de ter divulgado fotos íntimas de Najila Trindade, a modelo que o acusa, em um escândalo que provocou o cancelamento de campanhas publicitárias.

A nomeação de Leonardo como diretor esportivo em lugar do português Antero Henrique pretende exigir foco e dedicação e acabar com a guerra de egos. A venda de Neymar pode ajudar o clube a contentar Mbappé, que seria a principal estrela do elenco e poderia ter um aumento salarial.

Neymar tem um grande aliado no Barcelona, talvez o mais importante de todos: Lionel Messi. O argentino pediu diretamente ao presidente do Barcelona para se esforçar para trazer de volta o amigo Neymar. O argentino o respeita e o considera um interlocutor à altura dentro de campo. Eles se entendem.

Messi e o uruguaio Luis Suárez mantêm uma relação de amizade com o brasileiro até hoje. Juntos, os três conquistaram a Liga dos Campeões em 2015 e com o lendário trio MSN. Em três anos, foram nove títulos e 364 gols. Fora de campo, Messi aprecia o estilo descontraído e brincalhão do brasileiro, apesar de não aprovar alguns de seus excessos.

REAL NA BRIGA

O Real Madrid fará uma proposta de 130 milhões de euros (quase R$ 560 milhões) ao PSG pelo atacante Neymar, além de incluir na negociação um nome de peso, que pode ser o galês Gareth Bale ou o colombiano James Rodríguez. As informações são do jornal Mundo Deportivo, de Barcelona.

 

O clube do técnico Zidane ainda ofereceria salário de 30 milhões de euros (R$ 130 milhões) por temporada. A possibilidade esbarra na contratação de Eden Hazard, que chegou por R$ 440 

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Mesmo em crise, craque ganha fãs nas redes sociais

Acusação faz atacante perder R$ 227 milhões em valor de mercado, mas número de seguidores tem leve aumento

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 04h30

Mesmo depois de perder R$ 277 milhões em valor de mercado de acordo com o instituto europeu CIES Football Observatory e ver patrocinadores cancelarem campanhas publicitárias após acusação de estupro, Neymar conseguiu aumentar seus fãs nas redes sociais.

Entre 3 e 16 de junho, no auge do escândalo em que chegou a depor duas vezes, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, o atacante conseguiu mais seguidores no Facebook (aumento de 128 mil), Twitter (269 mil) e YouTube (19 mil seguidores). Os números são da Zeeng, plataforma de inteligência de dados voltada ao setor de marketing e comunicação. No Instagram, rede social que não fez parte do estudo, o jogador ganhou 700 mil seguidores e atingiu a marca de 120 milhões de fãs.

"Estamos analisando os canais sociais do Neymar. Dentre as publicações que ele fez, os comentários dos seguidores e fãs estão totalmente contemplados. Mas nós não analisamos a expressão Neymar nas redes sociais para tentar identificar o que as pessoas falaram", explica Eduardo Prange, CEO da empresa responsável pelo estudo. "Nos canais dele, existe uma predominância das reações de amor sobre as reações de raiva", completa o especialista.

Outros estudiosos ouvidos pelo Estado também apontam variáveis que podem compor esses contextos contraditórios: aumento de fãs de um lado e perda de patrocinadores do outro. "Quando as grandes corporações decidem restringir contratos, elas enxergam uma gestão de crise que dura um bom tempo. Os seguidores nas redes sociais se posicionam com mais rapidez e não esperam todos os acontecimentos. O movimento de engajamento vai numa velocidade diferente do impacto jurídico de uma empresa", comenta Roberto Gondo, professor de Comunicação e Marketing do Mackenzie.

Antonio Carlos Gobe, professor de Marketing da Pontifícia Universidade Católica (PUC), deixa um questionamento. "Será que o aumento de seguidores nos canais sociais está associado a seguidores efetivos ou a curiosos?", pergunta o especialista.

Para Luiz Cláudio Zenone, coordenador do MBA em Marketing da PUC, "patrocinadores têm outras métricas de análise do valor da marca que superam muito as métricas de redes sociais. O fato de algum jogador ser um ídolo é, sem nenhuma dúvida, um dos atributos de uma marca (no caso Neymar). Torcedores não avaliam marcas, ainda mais no futebol onde a paixão é determinante. Quem deve analisar a marca são as empresas e negócios que orbitam no mercado da bola", explica o especialista.

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