Alex Santos
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Brasil ensina e aprende com africanas antes do Mundial sub-17

Jogadores de Gana e de Camarões vieram a São Paulo antes do Mundial que começa nesta terça-feira

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2018 | 05h00

As seleções femininas sub-17 de Gana e Camarões escolheram o interior de São Paulo para o período final de preparação para o Campeonato Mundial da categoria, que começa nesta segunda-feira, em Montevidéu. Além de convir como período de aclimatação, as duas semanas serviram como aperfeiçoamento técnico, tático e físico. As africanas vieram para aprender a jogar melhor. 

O trabalho foi conduzido por uma comissão técnica brasileira formada por quatro profissionais. “Além do planejamento profissional que o esporte de alto rendimento necessita, a experiência de trabalhar com um grupo assim é o resgate da essência do esporte. É uma experiência que pode mudar para sempre as vidas das pessoas, principalmente para quem trabalha com esses atletas”, avalia Paulo Pan, coordenador técnico do time e responsável pela vinda das africanas ao Brasil.

A jogadora Claudia Voula Nia Dabda conta que aprendeu a dar mais importância aos exercícios de aquecimento, para prevenir lesões, algo que normalmente não fazia. Além disso, ela segue os horários de maneira mais rígida e com maior profissionalismo. “Os treinadores brasileiros ajudaram os nossos próprios treinadores”, afirma. 

Viviane Peka diz que ficou emocionada desde que chegou ao Brasil, ainda no aeroporto, com a maneira como o grupo foi recebido, e destacou as atividades culturais que também fizeram parte da programação. “Foi lindo conhecer a praia de Copacabana. Também gostei da integração das equipes. Camaroneses e brasileiros trabalharam juntos”, comentou. 

A clínica foi uma troca de experiências. Os brasileiros ficaram emocionados com a evolução das camaronesas nos últimos anos e a maneira respeitosa como realizam cada atividade. Antes dos treinos, elas faziam uma oração em conjunto, em grande círculo no campo. 

As atividades foram realizadas no Centro de Treinamento do Atlético Sorocaba, local que já havia recebido a Argélia na Copa de 2014. As africanas foram submetidas a testes de força, avaliação física e fisioterápica, composição corporal e nutricional, avaliações que também não são realizadas com frequência no futebol africano. Elas fizeram amistosos diante da seleção brasileira sub-17 (perderam por 6 a 0) e do time feminino do Corinthians (5 a 1). O intercâmbio com o time de futebol já havia sido realizado com outras modalidades esportivas. Desde o ano passado, vieram de Camarões a equipe de basquete masculino e handebol feminino.

Nos anos anteriores, atletas de Ruanda e Quênia treinaram no Brasil. A experiência com as meninas do handebol deu certo: elas conseguiram a vaga no Mundial. Após treinos em Barueri, a seleção feminina de vôlei faturou, pela primeira vez, o Campeonato Africano. 

No Mundial que começa hoje, as camaronesas terão um grande desafio, pois estão no Grupo C, ao lado dos Estados Unidos, Alemanha e Coreia do Norte. É o “grupo da morte”. 

A seleção brasileira estreia hoje diante do Japão às 15 horas (transmissão pelo SporTV2). As outras seleções da chave são México e África do Sul. O Mundial Sub-17 é realizado a cada dois anos, e já foram disputadas cinco edições. O maior campeão é a Coreia do Norte com dois títulos (2008 e 2016).

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