Andre Penner / AP
Andre Penner / AP

ANÁLISE: Brasil faz mais uma partida ‘pés no chão’, sofre e avança

México vende caro a vitória e vai para casa, como nas últimas edições de Copas

Robson Morelli*, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2018 | 13h09

O Brasil fez mais uma partida “pés no chão” na Copa da Rússia, suficiente para garantir o time nas quartas de final da competição. É um novo futebol que os torcedores brasileiros precisam se acostumar. Não tem mais brilhantismo, nada é conseguido facilmente e os melhores jogadores, quando bem marcados, fazem apresentações comuns. Não há mais um futebol envolvente como havia num passado nem tão distante assim no Brasil. Desta vez, diante de um México perigoso e de maior torcida no estádio, alguns jogadores que não estavam funcionando, funcionaram. Casos de Gabriel Jesus e Willian. Neymar e Philippe Coutinho parecem mais à vontade a cada partida.

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O craque do Brasil também  parece estar se divertindo na Rússia. Neymar fez se u segundo gol na competição e teve participação direta, diretíssima, no gol de Roberto Firmino, que parece estar com mais estrela do que Gabriel Jesus. Ele entrou e, minutos depois, estava empurrando a bola para as redes do México. A vitória de 2 a 0 elimina o México, um grande rival, e leva o time de Tite para as quartas, à espera do vencedor de Bélgica e Japão – que se enfrentam a partir das 15 horas de Brasília.

A boa surpresa neste jogo foi Willian. Jogou como se esperava dele desde a estreia. Insinuante, ofensivo, rápido pela direita e se misturando aos jogadores do meio quando necessário. Gabriel Jesus continua sua secura de gols e isso, claro, o incomoda. Toda camisa 9 sente o jejum. Todo camisa 9 não abre mão de marcar gol. O que não quer dizer que ele não tenha feito uma boa partida, não tenha ajudado o time, principalmente na defesa. Jesus foi importante. Ele tem aquele espírito de disputa que Tite tanto defende.

Saber sofrer tem sido uma frase declarada por todos os jogadores do Brasil nesta Copa. Também pelo técnico Tite. De fato, tem sido assim. O Brasil sofre para ganhar. O Brasil sofre para jogar bem. O Brasil sofre para avançar e marcar gols. Sofrer tem sido também um sentimento enraizado na alma do brasileiro, com ou sem futebol. Então, está tudo certo. Melhor sofrer avançando na competição. O Brasil está em festa. A decisão de oitavas com o México foi um bom teste para a defesa brasileira, principalmente nos primeiros minutos. O Brasil não havia sofrido tanto na Copa como nesta partida. Thiago Silva e Miranda deram conta do recado. Felipe Luis foi mais firme do que Fagner.

 

A final vem se aproximando da seleção brasileira e a seleção também vai se aproximando dessa decisão de Copa. Um passinho de cada vez. Me agrada a ideia de ganhar justo, sem sobras. Isso faz om que o elenco não baixe a guarda, esteja sempre concentrado. Em outras Copas, quando tudo ia bem e o Brasil festejava vitórias fáceis, a confiança aumentava a ponto de pregar surpresas lá na frente. Desta vez não é assim. Cada vitória vem suada, com esforço e concentração. Nada cai do céu para esse Brasil na Rússia. Esse é o novo Brasil que temos de reconhecer.

*ROBSON MORELLI É EDITOR DE ESPORTES DO ESTADO.

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