Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Carille se reinventa, mostra versatilidade e se mantém no topo

Sem centroavante, técnico mexe na equipe e consegue conquistar o bicampeonato estadual

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2018 | 11h00

Fábio Carille já tem seu nome firmado no futebol brasileiro, mas teve um novo desafio neste Campeonato Paulista e o título serviu para comprovar sua qualidade e versatilidade. O técnico do Corinthians mostrou que não é refém de um esquema tático, mas sim, adapta seu trabalho ao elenco que tem nas mãos. 

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"Eu sou abençoado. Vocês já ouviram várias vezes isso nas minhas entrevistas. Tenho um grupo maravilhoso, que compra a ideia, sabe das nossas dificuldades e procura cumprir da melhor forma possível. Estou honrado", disse o treinador corintiano.

Em 2017, ele surpreendeu a todos deixando de ser auxiliar técnico para virar treinador e levar o Corinthians ao título do Paulistão e do Brasileiro tendo um estilo de jogo em que todo mundo sabia como sua equipe iria atuar. Eram dois jogadores caindo pelas laterais e um centroavante, Jô, que era o responsável por marcar os gols da equipe. 

Neste ano, as coisas mudaram. Jô foi se aventurar no futebol chinês e o Corinthians perdeu sua referência na área. O clube, então foi ao mercado, tentou vários nomes de peso, contratou Júnior Dutra e uma aposta - Matheus Matias - deu nova chance para Kazim, enfim, fez de tudo para conseguir suprir a carência de um centroavante.

Nas primeiras rodadas do Estadual, Carille tentou manter o esquema tático, mas os resultados e as atuações não eram o esperado. Assim, precisou mudar o que ele via como a formação ideal e abriu mão de ter uma referência na área. “Nós conversamos sobre esquema tático e tentamos encontrar um equilíbrio para ver o que é melhor para o time. Felizmente, tivemos poucos momentos de instabilidade, mas quando isso acontece, a gente senta e vê a melhor forma de contornar isso usando o que temos nas mãos”, disse um dos auxiliares técnicos de Carille, Leandro da Silva, mais conhecido como Cuca.

A mudança aconteceu justamente no clássico contra o Palmeiras, pela primeira fase do Paulistão, dia 24 de fevereiro. A mudança deu certo e o time alvinegro venceu por 2 a 0, na Arena Corinthians. E mais uma vez, como aconteceu no ano passado, um clássico com o rival alviverde virou um divisor de águas para o treinador.

A partir daquele dia, o Corinthians passou a ter um novo esquema tático. Ao invés do 4-1-4-1 ou 4-2-3-1, a equipe passou a adotar o 4-4-2 ou o 4-2-4, dependendo do ponto de vista. Carille até tentou a volta do esquema antigo em alguns momentos, com Júnior Dutra, mas não deu certo e abriu mão de vez da opção. 

Com isso, quem perdeu espaço foi Kazim. O turco não foi sequer relacionado para os últimos jogos do Paulistão e quem ganhou mais importância foram Clayson e Rodriguinho. O primeiro, se tornou titular absoluto e uma das válvulas de escape para os dias em que Rodriguinho e Jadson estivessem bem marcados. O segundo, ganhou uma importância maior na criação e passou a ser o principal jogador da equipe. 

Carille, porém, sabe da importância em ter um goleador na equipe, aquela referência na área, que mesmo quando não está em um dia bom, consegue desviar uma bola ou pegar um rebote e garantir um resultado positivo, como Jô fez tantas vezes. 

Em diversas entrevistas, o treinador falou que esperava por reforços, mas entendia a dificuldade. As opções eram fracas ou muito caras. O bom e barato estava difícil. Assim, coube ao treinador se “reinventar” e mostrar que sua capacidade não se limita a trabalhar em um esquema tático fixo.  

Assim, o título do Paulista deste ano tem um gosto especial para o treinador. É a taça de quem conseguiu transformar uma adversidade em nova opção e hoje, o Corinthians tem mais de um esquema tático vencedor.

Pessoalmente, Carille tem demonstrado maior preocupação com opiniões sobre o seu trabalho, mas quem convive de perto com ele, garante que o jeito simples permanece. “Creio que o segredo dele é esse. O mesmo Carille de 2009, quando chegou como auxiliar no Corinthians, é o que está dirigindo o time neste momento. É um cara simples demais e que merece tudo que tem conquistado”, falou o preparador físico do Corinthians e amigo do treinador corintiano. 

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