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CBF se aproxima do Catar para incrementar patrocínios da Copa América

Entidade tem como objetivo expandir mercado e atrair investidores no torneio que será realizado em 2019

Jamil Chade, ENVIADO ESPECIAL / MOSCOU, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2018 | 11h34

A decisão dos organizadores da Copa América de 2019 no Brasil de convidar o Catar para participar do torneio não tem qualquer relação com o futebol. O objetivo da CBF e da Conmebol em ter a seleção do país do Golfo é a de abrir portas para que pesados investimentos do Catar desembarquem no futebol sul-americano, em especial na Copa América.

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Para 2019, a Conmebol e a CBF decidiram convidar Japão e Catar para o torneio e esperavam ainda ter a participação de México e Estados Unidos. Os norte-americanos não aceitaram, o que levou a competição a ter um número menor de equipes e de sedes que o planejado originalmente.

Na condição de anonimato, um dos principais dirigentes envolvidos no processo admite que a estratégia é a de conseguir que, a partir do Catar, empresas do país passem a ser aliados. Outro objetivo é o de conseguir que emissoras do Catar, como a BeIN, possam vender os direitos de transmissão em diversos mercados do mundo.

Parte do obstáculo em levantar mais dinheiro é a herança ainda dos contratos negociados pela empresa Datisa, acusada de corrupção pela Justiça norte-americana. O Estado apurou que ela já havia revendido os direitos de transmissão para cerca de 70 mercados diferentes, o que obriga agora a Conmebol a cumprir os acordos.

Muitos deles, porém, estão abaixo dos níveis de mercado e inferiores ao que a Premier League obtém com uma só partida de futebol, em termos de transmissões.

 

POLÊMICO

As relações entre a América do Sul e o Catar, porém, foram permeadas por polêmicas nos últimos anos. Um amistoso disputado por Brasil e Argentina no Catar em 2010 é considerado como um indício de irregularidade da campanha do país do Golfo para receber a Copa de 2022. Na época, os presidentes das duas federações sul-americanas eram os eleitores do Conselho de Fifa e ambos votaram pelo Catar.

A suspeita da Justiça americana é de que a partida foi usada como instrumento para desviar propinas, em troca dos votos. O Catar nega qualquer irregularidade. Mas mesmo uma investigação conduzida pela Fifa sugeriu que países que são candidatos devem evitar organizar amistosos de seleções que são potenciais eleitores.

 

 

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