Alexandre Vidal/Flamengo
Alexandre Vidal/Flamengo

Demissões causadas pela pandemia começam a atingir o futebol brasileiro

Clubes como Flamengo e Corinthians iniciam medidas para conter gastos, como desligamento de funcionários e reduções salariais

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 18h00

Os clubes brasileiros não resistiram à paralisação de mais de 40 dias forçada pelo novo coronavírus e começaram a demitir alguns funcionários. Sem receitas de bilheteria das partidas e com a fuga de patrocinadores, as diretorias das equipes como Flamengo e Corinthians anunciaram listas de dispensas ou reduções salariais de trabalhadores para tentarem diminuir o impacto financeiro da pandemia.

Essas demissões e mudanças se concentram neste primeiro momento na lista de funcionários e não necessariamente nos elencos profissionais de futebol. Os jogadores receberam 30 dias de descanso e teriam o retorno aos treinos previsto nesta sexta-feira, mas isso não deve se confirmar. A maioria das equipes defende a necessidade de deixar os times por mais tempo longe dos centros de treinamento. A rotina das atividades continuaria com os atletas dentro de casa.

Enquanto isso, os departamentos de recursos humanos dos clubes vão ter bastante trabalho. O Flamengo, por exemplo, deve demitir nos próximos dias cerca de 60 funcionários. O corte não é exclusivo do departamento de futebol. Até a próxima semana o clube vai anunciar outras medidas, entre elas corte salarial e a liberação dos empregados para só retornarem às atividades quando a pandemia acabar.

O Vasco tomou atitude semelhante e enviou a um grupo de funcionários o aviso da suspensão de contrato por dois meses (maio até julho), como permitido pela Medida Provisória 936, do Governo Federal. O clube carioca se comprometeu a pagar uma parcela do salário dos trabalhadores por meio do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda e dar 30% do valor do salário bruto de cada um como ajuda compensatória mensal.

O Corinthians determinou a diminuição de salários e de jornadas dos funcionários em 70%. A medida vale para maio e pode ser estendida para o mês seguinte. Em comunicado interno, o clube justificou as medidas como fundamentais para se garantir a estabilidade de todos. "São necessárias para a manutenção dos empregos e o pleno funcionamento do clube no retorno das atividades e foram definidas pelos gestores", diz o recado.

No futebol do Paraná, Athletico e Coritiba também tomaram algumas medidas. No clube rubro-negro o impacto econômico foi sentido pelos jogadores. Quatro atletas do elenco sub-23 terminaram os contratos e não assinaram a renovação. Já o Coritiba, por sua vez, promoveu na quarta-feira a demissão de alguns funcionários, além de reduções salariais e suspensões de contratos.

GERAÇÃO DE EMPREGOS

Segundo estudo feito pela CBF ano passado junto com a empresa Ernst & Young, o futebol brasileiro é o responsável por empregar 156 mil pessoas. Um time como o Flamengo, por exemplo, chega a ter quase mil funcionários. A maioria dessa parcela de trabalhadores são pessoas de salários pequenos e que atuam em funções na jardinagem, cozinha, lavanderia e limpeza.

Em março, ainda no início da paralisação pela pandemia, alguns times chegaram a reduzir os salários dos elencos profissionais com o pretexto de que a medida pudesse evitar a demissão de outros trabalhadores. "Como um grupo de funcionários classificados como mais humildes temia pela descontinuidade de seus empregos com a parada involuntária das suas atividades e das competições, resolvemos blindar e proteger em especial, esses colaboradores", disse ao Estado o diretor administrativo do Fortaleza, Gildo Ferreira. A equipe reduziu os salários do elenco em até 25% durante a pandemia.

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