Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Do estrelato ao desemprego: Alexandre Pato completa dois meses sem clube

Atacante de 31 anos rescindiu com o São Paulo em agosto e continua livre no mercado, sem despertar interesse de grandes times

Ricardo Magatti, especial para o Estadão, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2020 | 08h00

Revelado pelo Internacional em 2006 como uma das principais promessas do futebol brasileiro, Alexandre Pato foi do estrelato ao desemprego e não conseguiu, até agora, ser o protagonista que seu talento sugeriu quando despontou profissionalmente aos 17 anos. O atacante completa nesta segunda-feira, 19, dois meses sem clube depois de rescindir com o São Paulo no fim de agosto.

Segundo o São Paulo, foi Alexandre Pato quem pediu para romper o vínculo. O acordo iria até o fim de 2022 e o jogador, infeliz no clube, abriu mão de luvas atrasadas e de valores que deveria receber até o encerramento do contrato. Tudo isso girava em torno de R$ 35 milhões. Ao deixar o time paulista, esperava-se que ele logo se recolocasse em alguma outra equipe. Não foi o que aconteceu, no entanto. Pato está parado. Nas redes sociais, ele anda publicando frases como "assuma o controle de sua vida" e também posta lances de sua carreira no Milan, jogadas bonitas e gols memoráveis. Um vídeo de setembro em que corre na esteira teve 52 mil visualizações.

O destino ideal parecia ser o Internacional, de Porto Alegre. O time colorado perdera seu principal atacante, Paolo Guerrero, machucado, que só volta a jogar em 2021, e estava em busca de reposição para o ataque. Parecia ser o negócio perfeito, já que a ideia de retornar ao time que o revelou para o futebol, e no qual foi feliz, era bem vista pelo atacante. A negociação, porém, não foi concretizada e o jogador continua desempregado.

Além do Inter, Pato também foi especulado em três times italianos: Genoa, Spezia e Monza. O Monza  pertence a Silvio Berlusconi, ex-sogro do jogador, que namorou Barbara Berlusconi por dois anos, de 2011 a 2013. O bilionário empresário foi primeiro-ministro da Itália e proprietário do Milan por 30 anos.

Neste ano, Pato marcou apenas quatro gols em 13 jogos. Nas duas passagens do atacante pelo São Paulo, foram 47 gols em 136 partidas. Ele foi pouco utilizado pelo técnico Fernando Diniz e agora não desperta interesse de grandes clubes. Um dos entraves é o alto salário. Ele recebia em torno de R$ 700 mil por mês.

O sucesso fulminante do atleta no começo de sua trajetória não indicava que ele, um dia, teria dificuldades para arrumar novo clube. Pato brilhou no Inter aos 17 anos e chamou a atenção do Milan, que desembolsou quase R$ 40 milhões para comprá-lo na época. No time italiano, o brasileiro conquistou os torcedores com marcas importantes e gols decisivos no começo de sua passagem por Milão, mas, atrapalhado por lesões e outros problemas, não conseguiu se firmar na Itália e voltou para o Brasil em 2013.

Ele assinou com o Corinthians e novamente não encantou. Pelo contrário. Na equipe paulista, foi criticado pela baixa doação em campo e logo se transferiu para o São Paulo, em troca que envolveu a ida do meia Jadson para a equipe do Parque São Jorge. No Morumbi, retomou o bom futebol do começo da carreira e viveu sua temporada mais artilheira – foram 26 gols em 59 jogos em 2015. 

O desempenho foi o suficiente para o Chelsea apostar nele. A chance se apresentava como ideal para recolocar sua carreira nos trilhos e volta para a seleção brasileira. A passagem pela Inglaterra, porém, foi fracassada. Foram apenas duas partidas disputadas e um gol marcado pelo clube inglês. De lá foi para o Villarreal, da Espanha, no qual também não brilhou. Entre 2017 e 2018, passou pelo futebol chinês e, em um campeonato de pouca exigência técnica, conseguiu bons números no Tianjin Tianhai, do qual se despediu com 34 gols em 58 duelos.

No ano passado, com as lembranças positivas da primeira passagem, o São Paulo repatriou Pato. Dessa vez, porém, não deu certo, e o jogador deixou o Morumbi com histórias contraditórias e sem deixar muita saudade ao torcedor tricolor. Segundo o técnico Fernando Diniz e o diretor Raí, a rescisão se deu por vontade do atleta, insatisfeito e pouco aproveitado. Foram nove gols marcados em 35 aparições neste segundo ciclo.

ROTINA SEM CLUBE

Enquanto não define seu próximo destino, o jogador, que completou 31 anos recentemente, tem aparecido esporadicamente nas redes sociais para mostrar como tem mantido a forma. Ele exibe parte de sua rotina de preparação, publica alguns vídeos com gols e lances da época no Milan e compartilha momentos de sua vida pessoal. Marido de Rebeca Abravanel, o atacante chegou a ser cogitado para comentar um jogo do São Paulo pela Libertadores em transmissão do SBT, emissora do sogro Silvio Santos. Mas a possibilidade não se confirmou.

Nas redes sociais, Pato também se apresenta para mostrar insatisfação com as especulações a respeito de seu futuro. "Me colocam sempre em um time. E até sobre o futuro agora estão falando... Único que sabe é Deus. Ele, sim, sabe os meus planos", escreveu em uma publicação o jogador, que afirmou que estará de volta aos gramados "logo, logo" e garantiu estar treinando e se cuidando. 

O relacionamento com Rebeca Abravanel pode ser decisivo para ele permanecer no Brasil, já que a apresentadora do SBT não estaria disposta a deixar o emprego e se mudar para outro país. Sem clube, Pato tem tido mais tempo para passar ao lado da mulher. Os dois se casaram no ano passado. Por enquanto, não há nada definido sobre seu futuro. O Estadão apurou que Pato recebeu sondagens de times da Série A, mas o alto salário é um empecilho. É possível até que o atacante só volte aos gramados em 2021.

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