Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

'Eles uniram o país', diz embaixadora da Copa sobre seleção russa

Para Victoria Lopyreva, o bom desempenho da equipe nacional mudou a relação da Rússia com o futebol

Entrevista com

Victoria Lopyreva, embaixadora da Copa 2018

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2018 | 05h00

A Copa de 2018 abriu a Rússia ao mundo de uma maneira que jamais havia ocorrido na história e uniu um país. A avaliação é de Victoria Lopyreva, modelo, Miss Rússia 2003, e embaixadora da competição e da Unaids, o braço de combate ao vírus do HIV da ONU.

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“O mais importante é que eles (jogadores russos) nos uniram”, disse a embaixadora do torneio ao Estado. “Não é com muita frequência que isso ocorre na Rússia. Historicamente, não somos uma nação que se ajuda. Mas, diante de um grande temor - voltando à História - ou diante de um time muito forte, nos unimos.”

A assessoria de Victoria indica que ela foi a segunda mulher a dar o pontapé inicial em um jogo oficial entre seleções. A primeira foi Marilyn Monroe, numa partida entre EUA x Israel, em 1957. 

Victoria, que esteve no Brasil há três meses e planeja passar seu aniversário no Rio de Janeiro, no fim do mês, também acredita que nenhum craque mais decide um jogo, num comentário sobre o papel de Neymar na seleção. 

Qual o impacto social e econômico da Copa na Rússia?

Foi sempre meu sonho ver meu país mais aberto e ter mais estrangeiros. Agora, o que ocorreu em Moscou e em todas as onze cidades da Copa nunca ocorreu em nosso país e não sei se vai ocorrer de novo. Quando vemos pessoas de tantas nacionalidades, essa é uma grande oportunidade para os russos que não viajam entenderem que o mundo é enorme. Somos diferentes. Mas somos todos seres humanos. O futebol une as pessoas e é muito mais que um jogo. 

 

A Copa é um ponto de inflexão para a Rússia?

Sim. Em primeiro lugar, construímos uma importante infraestrutura, que vai ajudar a desenvolver o futebol na Rússia. Temos profissionais para administrar os estádios e não é apenas para gastar dinheiro, mas para que também gerem dinheiro. Não deixaremos elefantes brancos.

Que imagem você espera que o Mundial deixe da Rússia?

A imagem de que somos mais abertos para nossos convidados. Há três anos, fui escolhida como embaixadora da Copa e, a cada três dias, viajava para algum lugar. A mensagem era de que seria a melhor Copa do Mundo. Quando não temos informação, há o espaço para o medo. Em alguns países, fui muito bem tratada. Em outros, de forma mais fria. Agora, quero dizer a essas pessoas: venham para a Rússia. Um desses países joga nas semifinais amanhã (hoje).

Isso de fato criou um dilema político para alguns governos, como o inglês, que indicou que nenhum representante viria à Copa. 

Claro. Agora, terão de escolher entre política e futebol.

Vi aqui na Rússia as pessoas chorando diante da eliminação da seleção nacional da Copa. A Rússia se transformou em um país do futebol? 

Nunca pensamos que éramos um país do futebol. Muitas coisas ruins foram ditas sobre nossos jogadores e treinador. E o que eles fizeram? Nos fizeram felizes e nos deram esperanças de que possamos nos tornar um dia um país do futebol. O mais importante é que eles nos uniram. Não é com muita frequência que isso ocorre na Rússia. Historicamente, não somos uma nação que se ajuda. Mas, diante de um grande temor - voltando à História - ou diante de um time muito forte, nos unimos muito. 

Líderes da oposição russa que estiveram presos durante as eleições chegaram a agradecer os jogadores por permitir que todos gritassem “Rússia” juntos. 

O que eu vou dizer de novo é que futebol e política não estão juntos. 

Você diz que política e futebol não se misturam. Mas, quando vemos chefes de Estado vindo para os jogos, isso não é uma prova de que, sim, o esporte e a política se misturam?

A única forma de ver é que até os políticos são torcedores. Eles vêm apoiar seus times. 

Pela primeira vez, a Fifa tem adotado punições na Copa contra comportamentos homofóbicos. O que acha disso?

Todos temos de aceitar o outro como somos. Quando aceitamos o outro como ele é, não há espaço para guerra. 

Como avalia o que ocorreu com o Brasil na Copa?

Muito triste. Eu disse que apoiaria a Rússia e, depois, o Brasil. 

Como atriz, o que acha do atacante Neymar?

Neymar é uma pessoa muito legal. Ele tem todo meu apoio. Ele trabalha contra a discriminação. Eu o respeito e acho que é um dos melhores do mundo. Mas o futebol é um jogo de equipe e não se pode ter certeza que, por ter um grande jogador, o time vai ganhar. O Brasil perdeu, a Argentina, Portugal e Alemanha perderam. Grandes estrelas, como Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo e Mohamed Salah não ajudaram seus times. 

 

 

 

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