Rubens Chiri / São Paulo
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Robson Morelli
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Encantado com Crespo

Treinador é forjado pela raça argentina e tática italiana. E procura um goleador como ele

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2021 | 05h00

Imagino que eu não seja o único. Deve haver mais gente lá pelos lados do Morumbi com o mesmo sentimento. Estou encantado com Hernán Crespo. Ele mudou a cara do São Paulo em pouquíssimo tempo e já entrou para a história do clube ganhando quatro partidas numa única semana. Sua maratona começou no sábado, dia 10, diante do São Caetano: 5 a 1. Depois, na segunda-feira, bateu o Bragantino por 1 a 0. Na quarta, lá estava ele e seu time diante do Guarani, em nova vitória: 3 a 2. Fechou a corrida diante do Palmeiras, no Allianz. E ganhou de 1 a 0, quebrando um tabu de 12 anos sem superar o rival no Paulistão, desde 2009.

Se a fragilidade no Estadual não convence e deixa o torcedor com dúvidas, vale ressaltar que dois desses jogos foram diante de rivais da Série A. Há muito mais a se destacar em Crespo.

O treinador argentino chega ao Brasil despido de qualquer preconceito, principalmente pelo banho de cultura que tomou nos seus anos na Itália, como jogador do Parma e da Inter de Milão. Recentemente disse que suas filhas moram no país. Ele tem sido polido em suas conversas dentro do clube, paciente na hora de pedir (poderia mandar) e de se fazer entender. Crespo, por exemplo, escalou Daniel Alves na lateral-direita, com bastante liberdade, é verdade, mas na sua posição de origem, o que ele se negava a fazer antes da chegada do novo treinador.

Só nisso já há méritos. Ele também está amparado por uma lenda do São Paulo. Muricy Ramalho não desgruda dele. Inclusive foi o brasileiro que o entrevistou para a função. Portanto, o sucesso de Crespo também é o sucesso de Muricy na função de coordenador.

Ao lado de sua comissão, a primeira impressão é muito boa. Crespo é tranquilo, fala pausadamente, parece mais interessado em ouvir do que em se posicionar. Não esperneia à beira do gramado. Segundo informações apuradas, trata a todos da mesma forma, não se incomoda em se integrar com Cotia e está disposto a abrir o leque para os jogadores que buscam espaço no time.

Sua experiência no futebol recente (ele parou de jogar em 2012, na Índia) o faz um comandante antenado com a modernidade, com a garotada e seu jeito e com a necessidade de vencer na profissão. Na Argentina, vestindo a pesada camisa do River Plate, ele traz a raça e a gana de querer ganhar. Da Itália, com as cores do Parma e da Internazionale, Crespo aprendeu como as defesas são montadas, o que é disciplina tática e o tamanho da paixão de um gol.

Não é à toa que o São Paulo, sob seu comando, corrigiu um dos maiores problemas do time nos últimos tempos, a fragilidade defensiva. Com três zagueiros, Crespo tratou de fechar a casinha. No Paulistão 2021, em oito jogos, a equipe sofreu seis gols, sendo dois deles quando escalou uma formação reserva diante do Guarani a fim de descansar seus titulares da maratona.

Nos próximos meses, o São Paulo terá a cara do seu treinador. Há são-paulinos que começam a acreditar e esfregar as mãos. Tiram do armário a bandeira enrolada, a camisa amassada, na esperança de que o time quebre outro jejum, o de erguer taça. A última foi quando Crespo ainda jogava, em 2012, da Sul-americana. Naquele ano, nem Crespo pensava no São Paulo nem o São Paulo imaginava que pudesse ter o argentino no comando do time no Brasil.

Há ainda um desafio imediato para o treinador. Ele procura um centroavante. Sabe exatamente o que quer quando olha no espelho. Sim, o Crespo treinador quer ter um Crespo atacante no São Paulo. Pablo pode ser esse cara? Luciano? Nenhum se parece com ele, artilheiro raçudo por onde passou. Já se falou em Guerrero. Este se parece mais.

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