Andy Rain / EFE
Andy Rain / EFE

Especialistas apostam que o Chelsea vai continuar no topo após aquisição por Todd Boehly

Equipe londrina viveu dias conturbados por causa da saída de Roman Abramovich, que transformou o clube em uma potência no futebol

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 15h00

O oligarca Roman Abramovich finalizou, nesta segunda-feira, a venda do Chelsea ao grupo de investimentos liderado pelo empresário americano Todd Boehly e pelo consórcio Clearlake Capital. O novo dono do atual campeão mundial almeja entregar 200 milhões de euros (R$ 1 bilhão) para o técnico alemão Thomas Tuchel montar uma equipe ainda melhor. O objetivo é diminuir a vantagem conquistada pelos rivais Manchester City e Liverpool. 

Por causa das restrições impostas ao ex-dono do clube londrino, Abramovich, oligarca russo ligado ao presidente Vladimir Putin, o Chelsea ficou impossibilitado de renovar contratos, vender ou contratar novos atletas. As autoridades inglesas investigam para que o ex-proprietário não receba qualquer valor em relação à venda do time. 

"O Chelsea sofreu grandes sanções por parte do governo inglês. Canais de receitas do clube foram bloqueados, houve limitações de gastos em viagens internacionais e restrições de venda de ingressos para os jogos. Com a aquisição do clube londrino pelo consórcio e o fim das punições, creio que o time conseguirá atrair investidores, realizar parcerias e se recuperar desse período conturbado", diz Bruno Maia, executivo de inovação no esporte.

Nessas duas últimas décadas sob gestão de Abramovich, foram 21 títulos conquistados, dentre eles, duas taças da Liga dos Campeões, cinco títulos do Campeonato Inglês e, recentemente, o Mundial de Clubes. O time de Londres se consolidou entre as principais equipes do mundo e conquistou uma legião de fãs. Após o magnata russo confirmar que deixaria a administração da instituição, alguns questionamentos de torcedores apareceram nas redes sociais: o Chelsea seguirá forte como é hoje, em termos de investimento e competitividade?   

Para Luiz Henrique Martins Ribeiro, advogado especialista em negócios no esporte, a relação do aspecto financeiro e investimento não é exatamente um problema ou motivo de preocupação para os torcedores, uma vez que se trata de um clube como o Chelsea, que já conquistou o espaço e o patamar que está hoje. "O clube não perde só o maior investidor, mas um líder vitorioso, alguém que ama o futebol e em especial o time, pois sempre estava nos jogos, acompanhava de perto as competições e tomava decisões do dia a dia. Porém, diante da mentalidade vencedora que foi construída ao longo dos anos, é possível sim continuar no topo do futebol mundial, caso planejamento e convicção sobre gestão e futebol permaneçam nessa nova gestão", afirmou Ribeiro. 

Alex Santiago, advogado, professor de Direito Desportivo e vice-presidente de futebol do Fortaleza, segue uma linha de raciocínio parecida. "Eu acredito que mantém esse status de gigante europeu. É claro que existe uma questão imagética, por conta da guerra e da relação de proximidade do Abramovich com o Putin, que está sendo visto na Europa com muita reserva. Creio que se trata muito mais de uma mudança de posição do bilionário russo para conservar a imagem do Chelsea do que propriamente uma mudança de impacto de gestão ou então no dia a dia do clube."

Todd Boehly, líder do consórcio que comprou o Chelsea, tem larga experiência na gerência de agremiações esportivas. O empresário americano é um dos proprietários do Los Angeles Dodgers, equipe heptacampeã do principal campeonato de beisebol do mundo, do Los Angeles Sparks, time feminino de basquete, e conta com participação do Los Angeles Lakers, franquia da NBA com 17 títulos e ampla tradição. 

"O futuro do Chelsea após a venda é um problema de qualquer grande empresa de dono fundador. É preciso considerar que tem muito da visão, da personalidade e do esforço do Abramovich na administração. É necessário que os novos proprietários estejam preparados para administrar o clube e seguir conquistando bons resultados" explicou Jorge Braga, CEO do Botafogo e um dos protagonistas no que diz respeito à venda da SAF para o americano John Textor.

Além de Todd Boehly, o bilionário suíço Hansjörg Wyss, o magnata do setor imobiliário  Jonathan Goldstein e a companhia de investimento Clearlake Capital completam o consórcio que vai comandar o Chelsea. 

"Roman Abramovich terá seu nome associado ao Chelsea para sempre. Foi na gestão do bilionário russo que o time passou a ser vencedor e ter alcance global. Isso é algo inesquecível para o torcedor. Trata-se de uma história que não há como ser apagada. Agora, depois da conclusão da venda, o clube viverá novos tempos. Atletas, comissão técnica e funcionários poderão trabalhar com menos incertezas e pressões políticas. Os patrocinadores da equipe seguirão seu planejamento conectado ao time e as novas empresas sentirão mais segurança em associar suas marcas ao clube londrino", afirma Armênio Neto, especialista em negócios do esporte. 

Renê Salviano, CEO da agência de marketing esportivo Heatmap e com vasta experiência em captação de patrocínios e projetos especiais em esportes, disserta sobre a internacionalização da marca e os frutos colhidos pelos investimentos: “O Chelsea se tornou uma potência principalmente nos últimos 10 anos, por conta de toda a verba aplicada pelo Abramovich. Além disso, houve uma reformulação comercial com objetivo de internacionalização de marca e, obviamente,  uma força especial na criação dos elencos. Esses esforços ocasionaram grandes títulos e uma nova potência mundial no esporte."

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