Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Grêmio inicia decisão da Libertadores histórica para Renato Gaúcho

Provocador e de estilo boleiro, ele tem por meta tornar-se o 1.º brasileiro campeão do torneio como jogador e treinador

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 07h00

A ambição do momento de Renato Gaúcho é tornar-se o primeiro brasileiro campeão da Libertadores como jogador e treinador. Esta noite, poderá dar o penúltimo passo para concretizá-la. O Grêmio recebe o Lanús às 21h45 na primeira partida da final do torneio deste ano e Renato espera dar um passo positivo, representado por vitória contundente, que possa dar maior tranquilidade para o jogo da semana que vem na Argentina. Ele sabe a importância de começar bem uma decisão.

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Essa foi uma das coisas que Renato aprendeu ao longo da carreira iniciada em 2000, após bem-sucedida trajetória dentro de campo. Treinador das “antigas”, ele não abandona o jeito boleiro. É daqueles que defendem que futebol se aprende na prática e mostra até um certo desprezo por colegas que batem no peito ao dizer que foram à Europa aprender os métodos deste ou daquele treinador.

“Futebol é como andar de bicicleta. Quem sabe, sabe. Quem conhece não desaprende. Quem precisa aprender, estuda, vai para a Europa. Quem não precisa, vai para a praia. Eu posso ir para a praia”, disse certa vez o fã de futvôlei.

Este gaúcho de Guaporé, de 55 anos, sempre foi assim. Fala o que pensa. Com o tempo, aprendeu a pensar no que fala. Mas jamais abriu mão de ser um provocador – uma de suas últimas foi dizer que o Corinthians iria despencar no Brasileiro, o que lhe rendeu muita gozação. No entanto, sabe falar sério e ser um líder positivo.

Renato Gaúcho defende com vigor seus atletas. Dessa maneira, “ganha o grupo”. É respeitado e tem jogadores que acreditam piamente no que ele diz. “Sempre falo que sou o psicólogo deles”, afirma. 

Outra característica de Renato é a confiança. Ele não tem dúvida de que é um técnico de primeira linha e que um dia chegará à seleção brasileira. Quem o acompanha de perto, no entanto, assegura que ele é um “trabalhador”. Assim, dizem, ele montou um time que joga à base de triangulações, aproximação e prefere a bola no chão ao chuveirinho.

Ele procura conhecer seus pontos fortes e fracos, estuda estatísticas, analisa todos os adversários. Para isso, conta com um auxiliar que teria usado um drone para espionar o Lanús. “Não sei se ele usou ou não. Ele é pago para trazer informações para nós. E todo mundo sabe que sempre teve olheiro no futebol”, disse, ontem.

Gremista de coração, Renato não nega a ansiedade com a decisão. “Não vou dormir esta noite, mas o que importa é que meus jogadores durmam”, admitiu na entrevista que deu logo após participar do “rachão” junto com os atletas ontem. “Vamos colocar tudo o que a gente fez no ano em 180 minutos.”

Campeão da Libertadores em 1983 pelo Grêmio, ele já reivindicou ter uma estátua no clube se vencer também como treinador. “A história ninguém apaga”, filosofou.

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