Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Local do QG do Brasil, Sochi ainda trata Copa com frieza e calmaria

População e comércio da cidade escolhida para ser a base da seleção na Rússia demonstram pouco interesse com o torneio

Ciro Campos, Leandro Silveira, Marcio Dolzan, enviados especiais / Sochi, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 07h00

A menos de uma semana para o início da Copa do Mundo na Rússia, o ambiente que envolve a competição e a torna única ainda não pode ser percebido em Sochi. Apesar de a cidade-sede da Olimpíada de Inverno de 2014 ter sido definida como palco de preparação de duas seleções cabeças de chave do torneio – Brasil e Polônia – e também sob a expectativa de receber alguns dos mais aguardados duelos da fase de grupos, a competição ainda é vista com frieza e até um certo estranhamento pela população.

+ Moscou faz últimos retoques antes da abertura da Copa do Mundo

Palco recente dos Jogos de Inverno, Sochi até já tem seu aeroporto e principais vias decoradas por banners e placas alusivas ao Mundial pelos organizadores. Mas a competição ainda não empolga, mesmo em um cenário de verão e temperaturas acima dos 25ºC, que enchem hotéis e sua orla de turistas. Os viajantes aproveitam o local para praticar esportes, como o futevôlei, que une duas paixões do torcedor russo.

No Parque Olímpico de Sochi, a tentativa de fisgar os visitantes praticamente ignora a Copa do Mundo e se volta ao passado. Uma das mascotes mais marcantes do esporte, o urso Misha, que entrou para a história nas cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada de 1980, em Moscou, se faz mais presente do que a mascote da Copa, o Zabivaka. Uma pessoa trajada de urso se oferece para fotos por 200 rublos (cerca de R$ 13).

O cenário não é diferente no centro da cidade, onde a Copa não domina. Em lojas de souvenirs, o Zabivaka divide espaço com outros produtos alusivos ao torneio e a outros eventos realizados em Sochi, como a prova de Fórmula 1, e atrações, como o teleférico que leva até as estações de esqui. 

 

Também há espaço para camisas da seleção brasileira e a de Neymar do Paris Saint-Germain, vendidas por 800 rublos (aproximadamente R$ 50) confirmando que o craque já conquistou o status de referência global. Mas os próprios vendedores dos artigos esportivos ainda não sabiam que a equipe de Tite vai se preparar em Sochi para a Copa na Rússia, além de se concentrar no local até as quartas de final. 

O natural aumento de profissionais envolvidos com o torneio e, mais especificamente, com a seleção brasileira, aliás, provoca cenas diferentes, com moradores da cidade de pouco mais de 400 mil habitantes acompanhando com certa surpresa e curiosidade a movimentação de profissionais credenciados pela Fifa.

Apesar da paixão dos russos pelo futebol, as cenas de distanciamento da Copa têm suas razões. Há pouca expectativa pela seleção russa, que voltou a decepcionar o torcedor ao só empatar amistoso com a Turquia terça-feira, após perder para a Áustria na semana passada. 

A tendência, porém, é que a movimentação em Sochi aumente nos próximos dias e faça a cidade se envolver, de fato, com o torneio. Afinal, a seleção brasileira inicia na segunda-feira a fase final de preparação para a Copa na cidade. E a Polônia também estará no local a partir da quarta-feira. 

Se existe um ponto de Sochi onde há clima de Copa, ele está no futuro espaço da seleção brasileira. O hotel, localizado ao lado do estádio, recebe grande atenção dos policiais e seguranças particulares. 

A preocupação da CBF com a privacidade é tanta que até um trecho da linha de trem que passa por um morro ao lado do campo foi ladeado por faixas. Tapumes no alambrado vão garantir que somente os primeiros 20 minutos de cada treino poderão ser vistos. Dentro do estádio onde a equipe vai treinar, o aparato de raio X e detector de metais já foi montado.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.