Ari Ferreira/Bragantino
Ari Ferreira/Bragantino

Na Série B, Bragantino e Botafogo-SP fazem clássico das novas formas de gestão

Departamento de Futebol do time de Bragança é gerido pela Red Bull; equipe de Ribeirão virou clube-empresa

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 04h30

Na sexta-feira, a 15ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro será marcada pelo confronto entre RB Bragantino e Botafogo, times do interior paulista que fazem ótimas campanhas, mas que também se destacam por novos modelos de administração. O departamento de futebol do time de Bragança é gerido pela Red Bull em um modelo de co-gestão. A equipe de Ribeirão Preto se tornou um clube-empresa, em um modelo de sociedade anônima, desde maio do ano passado. Os dois times vão bem na tabela: o Braga lidera e o Botafogo é o quinto colocado.

O Red Bull Bragantino é mantido pela marca austríaca de bebidas energéticas. O negócio traz benefícios para os dois lados. A partir da parceria, os dois timese disputam a Série B e aceleraram a possibilidade de chegada à primeira divisão com um aporte financeiro da ordem de R$ 40 milhões. O escudo do Bragantino foi mantido, com uma grande logomarca da parceira. O presidente da equipe é Marquinho Chedid, do Bragantino, mas a gestão técnica e operacional do futebol pertence à Red Bull.

Thiago Scuro, diretor esportivo da Red Bull na América Latina, afirma que os primeiros quatro meses da parceria estão sendo “intensos”. “Estamos distribuindo nossa atenção na gestão da equipe na série B, na melhoria da estrutura do estádio e na relação com a cidade, imprensa e torcedor. Obviamente que os bons resultados em campo estão sendo determinantes para nosso sucesso até aqui, mas isso também só foi possível porque fomos abraçados pela cidade e torcida”, explica o dirigente referindo-se à média de público. Hoje, o Bragantino tem a terceira melhor média de público do torneio com 6.469 pessoas, atrás de Coritiba e Sport.

Um dos desafios para 2019 é continuar a profissionalização do clube. Vários profissionais faziam de tudo de um pouco. Hoje, as funções estão divididas em todas as áreas. “Nosso grande objetivo é consolidar nossos processos na gestão técnica nesta temporada. Obviamente que a oportunidade de ascender à série A é um objetivo que temos e estamos trabalhando para isso”, afirma Thiago Scuro. “Estruturas profissionalizadas no futebol tendem a ter êxito desportivo”, avalia.

O Botafogo Futebol S.A é resultado do investimento que a Trexx Sports realizou nas atividades esportivas do centenário Botafogo Futebol Clube em 2018. O time de Ribeirão Preto contribuiu com os chamados “ativos esportivos”, como a vaga na Série B e sua marca. A Trexx, empresa de investimentos do dirigente Adalberto Baptista, investiu R$ 8 milhões. O futebol botafoguense é administrado pelo próprio clube (60%) e pela Trex Sports (40%). 

Hoje, o Botafogo é um clube-empresa gerido por um Conselho de Administração, formado por sete membros, entre representantes do Botafogo Futebol Clube, Trexx Sports e dois membros independentes, todos com mandato de três anos. “A situação financeira atual é de equilíbrio entre receitas e despesas. Estamos realizando um esforço grande em gestão para atender as estratégias com o menor recurso possível”, diz Gustavo Vieira de Oliveira, CEO do Botafogo SA.

Na visão de Gustavo, um dos principais benefícios de um clube-empresa é a possibilidade de tomar decisões técnicas. “Existem associações esportivas que fazem boa gestão, mas tem de conviver com o ambiente político. No clube-empresa, você tem o isolamento daquele ambiente político e institucional do clube no qual conselheiros, associados e diretores que tomam parte das decisões. As decisões do dia a dia acabam sendo influenciadas pela política. Quando você tira aquele ambiente político, você toma decisões técnicas em todas as áreas, como na contratação de profissionais, por exemplo”, explica o executivo.

O desafio do Botafogo é semelhante à meta de todas as grandes empresas. “O maior desafio é a qualidade da gestão: melhores resultados administrativos e esportivos com menos recursos, utilizando-se para isto de profissionais selecionados por critérios técnicos e sem inflência política”, completa Gustavo.

 

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