Andreas Gebert / Reuters
Andreas Gebert / Reuters

No Tottenham, Mourinho reencontra as vitórias e se torna ‘rival’ do Chelsea

Português supera período de baixa, recupera o vice-campeão europeu e hoje desafia o time do qual se diz torcedor

Leandro Silveira, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2019 | 04h30

Uma união improvável tem resgatado um treinador e um clube no futebol inglês. Com seu status abalado após um trabalho ruim à frente do Manchester United, José Mourinho assumiu o comando do Tottenham há cerca de um mês e o recolocou entre os primeiros na classificação do Campeonato Inglês, além de tê-lo ajudado a avançar às oitavas da Liga dos Campeões.

Contratado antes da temporada 2016/2017 pelo Manchester United, Mourinho passou dois anos e meio no comando de um dos clubes mais poderosos do mundo. Mas a falta de competitividade nas disputas mais importantes – Campeonato Inglês e Liga dos Campeões – deixou para seus críticos a impressão de que o português não estava mais à altura dos principais treinadores do mundo, como Jürgen Klopp e Guardiola.

Por isso, o seu resgate pelo Tottenham surpreendeu. Após quase um ano desempregado, o “Special One” foi o escolhido para suceder o argentino Mauricio Pochettino, demitido pelo começo ruim de temporada, com apenas três vitórias nas 11 primeiras rodadas do Inglês, o que fez a direção “ignorar” que se tratava do treinador que havia, meses antes, conduzido o clube à sua primeira final da Liga dos Campeões na história.

A escolha por Mourinho foi inusitada, não só porque o técnico tem perdido força na opinião publica, mas por sua relação estreita com o Chelsea. Isso provocou, inclusive, declarações de que jamais comandaria o Tottenham. “Eu não poderia ir (para o Tottenham). Porque amo muito os torcedores do Chelsea. Eu sou Chelsea”, disse o treinador em 2015, após vencer a final da Copa da Liga Inglesa em cima de seu clube atual.

PERÍODO SABÁTICO

Após ser demitido pelo United apenas uma semana antes do Natal do ano passado, Mourinho “hibernou” por 11 meses. Com isso, teve um longo tempo para refletir sobre a sua trajetória e para escolher os próximos passos de sua vida profissional, retornando para demonstrar que ainda pode fazer valer o apelido de “The Special One” que lhe deram.

Assim, em novembro, Mourinho decidiu aceitar a oferta do Tottenham. “Eu estou mais forte. E quando digo que estou mais forte, é do ponto de vista emocional. Estou relaxado. Estou motivado. Estou pronto”, garantiu o treinador português durante a sua apresentação.

O sucesso tem sido imediato, com cinco vitórias em seis jogos disputados no Campeonato Inglês, desempenho que colocou o time na briga pela quarta vaga distribuída pelo torneio na próxima Liga dos Campeões. Na atual, o clube inglês está garantido nas oitavas de final e terá pela frente o RB Leipzig.

Mourinho, assim, se tornou um adversário do clube que mais marcou a sua carreira de treinador: o Chelsea. Ele teve duas passagens pela equipe, de 2004 a 2007 e, depois, de 2012 a 2015, tendo sido três vezes campeão inglês. Mas agora é adversário do time que “ama” e de um dos expoentes da sua passagem por Stamford Bridge, o agora técnico Frank Lampard, que defendeu o clube de 2001 a 2014.

Com o Chelsea, quarto colocado, em baixa, a distância entre os clubes está em apenas três pontos (29 a 26), com o Tottenham em sétimo. E essas posições poderão ser alteradas hoje, quando as equipes se enfrentam às 13h30 (de Brasília), no novo estádio do Spurs.

O português, porém, tentará evitar o que aconteceu na partida em que reencontrou um time que dirigiu anteriormente nesse início de passagem pelo Tottenham. Afinal, sua única derrota no Inglês à frente do clube foi para o Manchester United, outro rival na briga pelo quarto lugar de um campeonato dominado pelo Liverpool e que neste momento tem Leicester e Manchester City na disputa pela vice-liderança. “Nós não podemos ganhar a Premier League nesta temporada, mas nós podemos ganhá-la na próxima”, previu Mourinho.

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