Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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Soberba muda de lado

Torcedor começa a desconfiar do Palmeiras até mesmo dentro de sua casa

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 04h00

O Palmeiras leva para campo, em todas as partidas, o tamanho do investimento que faz a cada temporada, desde que a patrocinadora Crefisa chegou ao clube, em 2015, e passou a injetar dinheiro para reforçar o time anualmente. O clube, claro, também faz sua verba, com eventos, bilheterias e venda de produtos da marca. A maior fatia, porém, vem da parceria. Ocorre que esse dinheiro todo não tem sido visto na qualidade da equipe. Faz tempo que o Palmeiras não joga bem contra rivais no mínimo de qualidade semelhante, como foi na decisão de ontem da semifinal do Campeonato Paulista com o São Paulo dentro de sua casa, mas não só lá.

Na partida de ida, no Morumbi, também um 0 a 0, o time deixou a desejar. Ser eliminado no Allianz tem um preço que o Palmeiras precisa pagar, não em dinheiro, para a sua torcida, que mais uma vez empurrou a equipe até o fim, festejou e acreditou desde as primeiras horas do dia. O palmeirense está ressabiado, começa a desacreditar do elenco, da comissão técnica, não pelo passado de cada um, mas pelo que eles estão apresentando na temporada. O Palmeiras joga mal em todas as competições. Ganha a maioria de seus jogos, mas não convence. E na hora da decisão, nega fogo. Perdeu o Estadual passado em casa para o Corinthians. No mesmo palco, tão bonito e alegre quanto em 2018, deixa a vaga lhe escapar das mãos diante de outro adversário importante, que até então não sabia o que era festejar nem empatar no Allianz. Há muita desconfiança no ar.

O Palmeiras tem profissionais de altíssima qualidade, quase que em todas as posições do futebol, mas juntos eles não estão funcionando. O São Paulo vinha de uma fase terrível. Recuperou-se em campo e levou sua nova cara para dentro do Morumbi. Hoje, todos sorriem com muito mais facilidade. No sábado, ao abrir o treino no seu estádio para 30 mil torcedores sedentos por uma conquista, por uma participação em final de campeonato, criou um fato, uma comunhão, capaz de mudar o cenário e fortalecer seus atletas.

Enquanto isso, o Palmeiras parece caminhar com sua soberba, de nariz empinado, se não os jogadores e Felipão, ao menos a diretoria, que sempre tratou o Paulista como Paulistinha. Se é, então não deveria disputá-lo. Porque quando se está disputando, a torcida quer que o time vença. Não há nenhum palmeirense satisfeito com o fracasso em casa diante do São Paulo. Não há palmeirense, diga-se, que não queira ver seu time chegar a uma final de torneio, seja ele de futebol ou de cuspe à distância. Então, diretoria e torcida precisam ao menos estar sintonizadas nas ambições da temporada.

A ideia de Felipão de tirar o Palmeiras de campo por causa do gol anulado de Deyverson, passando pela crítica dura do treinador ao julgamento de Moisés, com insinuações sérias contra a FPF, demonstra o clima bélico entra as partes, entre o Palmeiras e a Federação Paulista. Então, só há dois caminhos: rever a briga ou romper de vez. Mas isso é só para 2020. Ficar fora da final do Paulista é perder a chance de nova conquista, de alívio para os jogadores, embora isso não signifique falta de comprometimento com as outras disputas do ano, de resposta aos investimentos. Erguer taça ainda é importante no futebol. Ficar fora só faz dobrar as cobranças na Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Ou não?

O São Paulo encarou a fase mata-mata do Estadual de forma séria e concentrada, humilde até, sem a soberba do passado. Fez jogos razoáveis, sem nunca ter perdido seu foco de ajustar a casa, perder o medo e voltar a contar com sua torcida, que havia “desistido” da equipe. Mudou no vestiário e dentro de campo. Não sei se merecia a vaga mais do que o Palmeiras, mas que foi mais competente nos pênaltis, isso foi.

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