Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Título brasileiro recoloca Felipão no cenário internacional

Treinador tem convite da seleção colombiana para a Copa de 2022

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 05h00

A conquista do título brasileiro recolocou Felipão no mercado internacional. Por indicação do atacante Miguel Borja, camisa 9 do Palmeiras, a seleção colombiana quer contratá-lo para a Copa de 2022. Agora, o treinador de 70 anos deve optar entre dois caminhos: tentar repetir o título da Libertadores que conquistou em 1999 com o Palmeiras ou voltar ao exterior, depois de ter trabalhado em Portugal, Cazaquistão, China e Inglaterra. 

Pessoas próximas ao treinador afirmam que a tendência é que fique no Brasil. Pela “família Palmeiras” e também por seu próprio clã. No ano que vem, Felipão vai completar 20 anos da conquista da Libertadores com o Palmeiras

Por outro lado, desde a Copa de 2014, o treinador tem o interesse de voltar a uma Copa do Mundo. A proposta está na mesa. O Estado apurou que um dos pontos da negociação é a questão salarial. Os valores são mantidos em sigilo. A título de comparação, José Pekerman, ex-treinador da seleção colombiana, ganhava R$ 5,2 milhões por ano. O mais bem pago do mundo é o alemão Joachim Löw com R$ 16 milhões. 

Felipão não foi a primeira opção dos colombianos, eliminados pela Inglaterra nas oitavas de final da Copa da Rússia. Antes dele foram sondados o português Carlos Queiroz, o argentino Gerardo Martino, os colombianos Luis Fernando Suárez, Juan Carlos Osorio e Reinaldo Rueda. Até Dunga estava na lista, mas nem quis abrir as negociações. Dentre todos, só Felipão aceitou conversar. A Federação Colombiana de Futebol não respondeu aos questionamentos do Estado

Pesquisas feitas pelos veículos colombianos mostram que o treinador não é unanimidade. Uma enquete nas redes sociais da TV Caracol, a principal emissora colombiana, apontou 55% para o “sim” e outros 45% afirmando “não” para Felipão. Participaram da enquete cerca de cinco mil pessoas. O jornal El Tiempo fez a mesma pergunta e teve um resultado mais expressivo: 67% querem Felipão dirigindo James Rodríguez. Quase mil pessoas responderam. 

O principal argumento daqueles favoráveis à contratação era a conquista da Copa de 2002; as pessoas do contra lembravam da goleada da seleção brasileira para a Alemanha por 7 a 1 em 2014. “Scolari tem um grande conhecimento tático. Ele fala de um jeito que todos entendem. Tem todas as condições de ser técnico da seleção da Colômbia”, diz Faustino Asprilla, jogador do Palmeiras na primeira passagem de Felipão. 

Além de resgatar o prestígio no País, o título do Palmeiras mostra que Felipão tem mercado no exterior. Até hoje, sua carreira lá fora oscilou bons e maus momentos. Ele levou a seleção de Portugal ao vice da Eurocopa e às semifinais da Copa de 2006. Após a eliminação na Euro 2008, Scolari foi para o Chelsea. Foram apenas sete meses. Ele foi demitido por pressão da torcida e da imprensa em razão dos resultados ruins (4º lugar no Campeonato Inglês sem vencer os clássicos). 

Em 2009, ficou um ano no Usbequistão onde foi campeão com aproveitamento de 95%. Em seguida, em dois anos e meio na China, sua última experiência internacional, conquistou sete títulos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.