Paul Childs/ Reuters
Paul Childs/ Reuters

Jogadores negam-se a ficar de pé para hino dos EUA em jogo da NFL em Londres

Em protesto, elencos de Jaguars e Ravens permaneceram ajoelhados antes da partida realizada em Londres

Estadao Conteudo

24 de setembro de 2017 | 12h47

Se a intenção de Donald Trump era coibir as manifestações durante o hino em partidas da NFL (principal liga de futebol americano), o tiro saiu pela culatra. Um dia depois de o presidente dos Estados Unidos pedir até a demissão dos atletas que protestassem durante o hino, praticamente todos os jogadores repetiram a atitude durante o duelo entre Baltimore Ravens e Jacksonville Jaguars neste domingo.

Na partida realizada em Londres, no estádio Wembley, boa parte dos elencos de Jaguars e Ravens permaneceram ajoelhados durante o hino nacional, com os braços entrelaçados. A ação teve o respaldo até dos presidentes de ambas as franquias.

"Nós reconhecemos a influência de nossos jogadores. Nós respeitamos a demonstração deles e os apoiamos 100%. Todas as vozes precisam ser ouvidas. Esta é a democracia em sua maior forma", declarou o dono do Ravens, Steve Bisciotti. Já o proprietário do Jaguars, Shad Khan, chegou a se ajoelhar ao lado dos jogadores.

No último sábado, Trump considerou "falta de respeito" as manifestações durante o hino nacional e pediu a demissão de jogadores que tomassem tal atitude. O presidente norte-americano manteve o discurso neste domingo, através do Twitter.

"Se os fãs da NFL se recusarem a ir a jogos até que os jogadores parem de desrespeitar nossa bandeira e nosso país, vocês verão uma mudança acontecer rapidamente. Precisam ser demitidos ou suspensos. A audiência da NFL está caindo. Porque são jogos entediantes, mas também porque as pessoas amam seu país. A liga deveria apoiar os Estados Unidos", escreveu.

Desde a temporada passada, diversos jogadores da NFL têm se recusado a levantar para o hino nacional como forma de protesto principalmente pelo tratamento da polícia aos negros no país, após diversos casos de abuso de poder que resultaram até em mortes. A atitude foi encabeçada pelo então quarterback do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick, e rapidamente aderida por diversos jogadores, até em outros esportes.

Presidente dos Estados Unidos à época, Barack Obama considerou legítima a manifestação, enquanto o então candidato Trump chegou a sugerir a Kaepernick "procurar outro país" para morar.

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