Buda Mendes/CPB
Buda Mendes/CPB

Grande medalhista paralímpico, André Brasil se torna inelegível para o esporte

Nova classificação de modalidades paralímpicas tira possibilidade do nadador de 67 medalhas continuar a competir

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2019 | 22h19

O esporte paralímpico do Brasil deixará de contar com um dos grandes atletas da atualidade. André Brasil, nadador de diversos recordes mundiais e medalhas em Paralimpíadas, foi denominado como inapto para continuar a competir após uma reclassificação do esporte ocorrida nesta quarta-feira (24). A medida promovida pelo Comitê Paralímpico Internacional é polêmica, por dividir atletas de acordo com a sua deficiência.

André participou de três Paralimpíadas, cinco Campeonatos Mundiais e três jogos ParaPan-Americanos, estando em atividade há 14 anos. Esta reclassificação, a quarta de sua carreira, vetou sua participação no sistema paralímpico daqui para frente e, assim, ele não pode disputar nenhuma competição de esporte adaptado.

"O que me deixa triste é ver que são 14 anos jogados fora, como se passassem uma borracha em cima da minha história", afirmou o atleta. "Não somos tratados como seres humanos, e sim como números de pontos na classificação".

André Brasil teve poliomielite logo aos três meses de vida. Como sequelas da doença, ficou com uma diferença de cinco centímetros entre uma perna e a outra, e não tem a mesma força e sensibilidade na perna esquerda. Após cinco cirurgias, o problema não foi corrigido e ele iniciou a carreira paralímpica em 2005.

Na carreira pelo Brasil, André chegou a conquistar 67 medalhas em mais de 300 competições. Seus novos exames, no entanto, não bastaram para que ele pudesse continuar a competir após a nova classificação. 

"O sistema é falho. Não é justo, quatro pessoas definirem a vida de um atleta. Parece que o que foi feito anteriormente não valeu de nada, o esporte paralímpico perde muito a sua credibilidade por isso", afirmou seu técnico, Felipe Domingues.

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