Franck Robichon/EFE
Franck Robichon/EFE

Presidente do Comitê Olímpico de Tóquio renuncia após polêmica por comentários sexistas

Yoshiro Mori, de 83 anos, anunciou sua saída durante reunião executiva da organização; renúncia ocorre após polêmica por declarações de que "mulheres falaram demais"

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 04h32

O presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020Yoshiro Mori, anunciou nesta sexta-feira,  dia 12, sua renúncia após a repercussão negativa de comentários sexistas feitos na semana passada, durante reunião de dirigentes da organização. "Minha declaração inadequada causou muito caos. Desejo renunciar ao cargo de presidente a partir de hoje", disse Mori durante seu discurso. Ele informou que o mais importante agora é que a Olimpíada seja realizada e um sucesso. Dias anteriores, o dirigente comentou que não deixaria o cargo. A pressão externa era grande.

O ex-primeiro-ministro japonês, de 83 anos, fez este anúncio no encontro dos conselheiros e da diretoria-executiva do órgão, convocada para discutir as consequências de suas próprias declarações e apontar um sucessor. O caminho de sua saída já estava traçado, mas o protocolo foi seguido. De acordo com a imprensa local, nomes como o do atual chefe da Vila Olímpica, Saburo Kawabuchi, ou da ministra japonesa, Seiko Hashimoto, estão sendo cogitados para o cargo.

O comitê já havia informado, na quinta-feira, dia 11, que os membros do conselho executivo se reuniriam para "expressar suas opiniões sobre as declarações de Mori" e discutir "iniciativas futuras" do órgão sobre igualdade de gênero. Por enquanto, o COI e o Comitê do Japão trabalham no sentido de manter em pé a realização dos Jogos mesmo com a onda crescente da covid. Tóquio e alguma outras regiões do país estão em estado de emergência. 

Entenda o caso

No dia 3 de fevereiro, Mori afirmou que as mulheres "falavam muito" durante as reuniões do conselho, o que para ele era "irritante", competiam entre si durante os encontros e disse ainda que as mulheres que trabalhavam no Comitê Organizador "sabiam seu lugar". No dia seguinte, o dirigente pediu desculpas durante entrevista coletiva, mas negou que renunciaria ao cargo.

Mas a pressão sobre o então presidente e o Comitê Organizador não diminuiu desde então. Na quarta-feira, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, afirmou que não estava entre seus planos comparecer a uma reunião sobre os Jogos, marcada para o fim deste mês, "porque não seria uma mensagem positiva dada em função da situação atual".

Um dos maiores patrocinadores da Olimpíada de Tóquio, a montadora japonesa Toyota, também questionou a conduta do ex-primeiro-ministro. "É lamentável que os comentários do chefe do Comitê Organizador (Tóquio-2020) sejam contrários aos valores que defendemos na Toyota", informou segundo nota escrita pelo presidente do grupo, Akio Toyoda, lida por um de seus assessores durante conferência de imprensa sobre os resultados financeiros da empresa.

Dos 54 patrocinadores dos Jogos de Tóquio que responderam a uma pesquisa da emissora de televisão pública NHK, 36 consideraram as palavras de Mori "inaceitáveis", embora nenhum tenha manifestado intenção de cancelar seus contratos com a competição. Na terça-feira, o Comitê Olímpico Internacional (COI), que primeiro considerou o assunto encerrado após as desculpas de Mori, também acabou julgando as palavras como "absolutamente inadequadas".

Atletas como a estrela do tênis feminino japonês Naomi Osaka, voluntários para os Jogos Olímpicos, funcionários de várias embaixadas em Tóquio e parlamentares da oposição no Japão também protestaram nos últimos dias, enquanto uma petição online pedia medidas contra o dirigente, recolhendo mais de 145 mil assinaturas. Este escândalo é um novo problema para os organizadores dos Jogos, que buscam recuperar o entusiasmo pela competição. O evento será realizado de 23 de julho a 8 de agosto de 2021, após ser adiado no ano passado devido à pandemia do novo coronavírus.

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