Divulgação/ FIVB
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ANÁLISE: Brasil fez a opção certa na Copa do Mundo de vôlei

A conquista no Japão era (quase) tudo que o técnico Renan Dal Zotto precisava

Bruno Voloch, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2019 | 18h57

No vôlei, a denominação Copa do Mundo, é bom que se explique, nada tem a ver com o maior evento do planeta de futebol. Longe disso. É uma competição disputada a cada quatro anos sempre no Japão, entre as temporadas do torneio mundial e Olimpíada. Reúne os campeões continentais. Não serve muito como referência.

É importante que se tenha boa dose de cautela ao analisar o tricampeonato do Brasil. Ninguém deve se iludir tanto. A realidade é outra e o cenário nos Jogos Olímpicos será completamente diferente daquele encontrado no Japão. Nenhuma seleção, incluindo a nossa, jogou com força máxima, pelo contrário. Itália, Rússia e Argentina, tradicionais adversários do Brasil, e mais o Canadá, optaram em atuar com time B. O Irã não estava 100%. A Polônia, bicampeã do mundo, alternou titulares e reservas durante o torneio e os Estados Unidos estavam sem Taylor Sander. O Brasil só não contou com Wallace, referência desde a conquista do ouro olímpico no Rio em 2016.

Curiosamente, o substituto dele acabaria sendo o nome do Brasil no Japão. Alan foi o melhor jogador da seleção na Copa do Mundo. Aposta que deu certo, mérito de Renan Dal Zotto. Aos 25 anos, o jogador assumiu a responsabilidade, mostrou impressionante personalidade e provou que está no ápice da forma física e técnica. Alan aproveitou a chance e é nome certo para os Jogos de Tóquio de 2020, ainda como reserva de Wallace.

Não se pode em hipótese alguma também, independentemente do que encontrou do outro lado do mundo, desvalorizar ou menosprezar a conquista brasileira. O que se deve fazer é enaltecer a seriedade como Renan encarou a competição e a decisão de levar o que tinha de melhor. O técnico agiu com prudência. Era preciso resgatar a confiança e entrosar o cabano Leal, hoje peça fundamental, com o grupo.

O título, apesar das circunstâncias, chega em ótima hora. Não custa lembrar que esta mesma seleção meses atrás ficou a uma bola de perder o classificatório olímpico para a Bulgária. Semanas depois, já com time B, o Brasil quase viu escapar pelas mãos a hegemonia sul-americana diante da Argentina. A conquista no Japão era (quase) tudo que Renan precisava.

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