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Aos 33 anos, técnico do RB Leipzig desafia mentor para chegar à final da Liga dos Campeões

Julian Nagelsmann encontra na semifinal o compatriota Thomas Tuchel, que foi um dos responsáveis pelo seu início da carreira

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 08h00

Quando nesta terça-feira RB Leipzig e Paris Saint-Germain entrarem em campo em Lisboa para disputar a semifinal da Liga dos Campeões, um encontro entre velhos conhecidos vai anteceder o jogo que definirá o primeiro finalista do torneio. Com 33 anos recém-completados, o técnico do time alemão, Julian Nagelsmann, terá o prazer de rever agora como adversário o treinador da equipe francesa, Thomas Tuchel, de quem já foi subordinado e colega anos atrás.

O técnico mais jovem a disputar uma semifinal da Liga dos Campeões teve de largar a carreira de zagueiro aos 21 anos após seguidos problemas no joelho. Naquela época, Nagelsmann defendia o Augsburg, que tinha como técnico justamente um jovem de apenas 35 anos chamado Tomas Tuchel. Ao ver o jogador alemão desmotivado pela grave lesão, Tuchel o convidou para trabalhar como assistente técnico. A aposta permitiu o início de uma carreira fulminante.

O ano era 2008 e Nagelsmann começou na nova função de auxiliar-técnico com o papel de estudar adversários. A aplicação no conhecimento tático e a graduação em ciências do esporte levaram o jovem ex-jogador a crescer rapidamente na nova profissão, mas sem nunca ter esquecido da relação com Tuchel. Prova disso é que na quinta-feira, logo após confirmar a classificação do RB Leipzig à semifinal, o jovem treinador se disse ansioso pelo reencontro com colega. 

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Enfrentar Tuchel? Não posso esperar. Quando nos encontramos na Bundesliga, eu fiquei muito feliz. Ele é um grande treinador, um grande cara, mas espero que no fim eu possa ganhar
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Julian Nagelsmann, Técnico do RB Leipzig

"Enfrentar Tuchel? Não posso esperar. Quando nos encontramos na Bundesliga, fiquei muito feliz. Ele é um grande treinador, um grande cara, mas espero que no fim eu possa ganhar", afirmou após vencer o Atlético de Madrid por 2 a 1 pelas quartas de final. Curiosamente, na semifinal, o técnico de 33 anos terá como rival uma equipe que tem jogadores mais velhos do que ele: Navas vai completar 34 anos e Thiago Silva tem 35.

Nagelsmann trabalhou um tempo no Augsburg junto com Tuchel para depois se fixar no sub-17 do Hoffenheim. Um ano e meio depois, o bom trabalho dele chamou a atenção de dirigentes. Ele acabou promovido para a comissão técnica do time principal aos 25 anos. "Eu me lembro quando me encontrei pela primeira vez com o time, que tinha vários jogadores experientes. Eu posso apostar que eles queriam me testar para ver se estava lá somente para colocar os cones no campo", contou o técnico ao site oficial do Campeonato Alemão, a Bundesliga.

A insegurança de ser tão jovem quanto os demais jogadores comandados foi logo vencida e Nagelsmann se tornou técnico efetivo pela primeira vez aos 28 anos no próprio Hoffenheim. Um dos goleiros do time, Tim Wiese, gostou tanto do trabalho que o apelidou de "Mini Mourinho". Por uma coincidência, nesta temporada o jovem técnico alemão derrotou justamente o Tottenham, do português José Mourinho, nas oitavas de final da Liga dos Campeões. 

Em três temporadas no comando do Hoffenheim, em duas o técnico levou o time a terminar nas quatro primeiras posições do Campeonato Alemão. Logo o talento prococe acabou reconhecido e o emergente RB Leipzig o contratou em junho do ano passado. Além do terceiro lugar na liga desta temporada, o clube faz história na Liga dos Campeões e está a uma partida de marcar presença na grande decisão do torneio.

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Quando você chega à próxima fase, você sempre quer ir mais longe. É assim que bate o coração de quem gosta de futebol. Nós queremos ir à final
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Julian Nagelsmann, Técnico do RB Leipzig

"Quando você chega à próxima fase, você sempre quer ir mais longe. É assim que bate o coração de quem gosta de futebol. Nós queremos ir à final também", avisou o ex-pupilo de Tuchel. Prestes a iniciar mais um desafio, jovem alemão garante confiar no conhecimento tático para avaliar como deter um time de tanta qualidade como o PSG, de Neymar. "Vamos jogar contra o PSG e suas estrelas, não será fácil. Temos de nos defender bem. Quando você se encontra em uma posição de ter que se defender contra jogadores como Neymar e Mbappé, você tem de se antecipar", comentou. É o que pretende fazer o Leipzig.

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