Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Após êxito na Copa, Rússia já pensa em sediar os Jogos Olímpicos

Relação entre russos e COI começa a melhorar após polêmica de revelações de doping de atletas do país

Jamil Chade, enviado especial/Moscou, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2018 | 07h22

O êxito da Copa do Mundo de 2018 leva as autoridades russas a considerar uma candidatura para sediar os Jogos Olímpicos. Numa coletiva de imprensa de encerramento do torneio, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa, Arkadi Dvorkovich, indicou que o assunto está em consideração.

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Pela primeira vez desde a crise de doping, Moscou vai receber neste domingo o presidente do COI, Thomas Bach. A relação entre os russos e o movimento olímpico foi abalada depois que as revelações de doping obrigaram a entidade a suspender dezenas de atletas.

"Ainda estamos em uma fase preliminar (de discussão)", afirmou o dirigente, que acumula o cargo de vice-primeiro-ministro da Rússia e presidente do Comitê Organizador da Copa. "Temos essa ideia (dos Jogos Olímpicos). Nosso país é merecedor de ter esse evento", disse. Segundo ele, porém, isso é um debate que será realizado em 2019 e que dependerá da decisão de Vladimir Putin, presidente russo.

Os Jogos de 2024 e 2028 já estão definidos. Mas o COI se prepara para buscar uma sede para 2032 apenas em quatro anos. Moscou, que recebeu o evento de 1980, considera a possibilidade de repetir a iniciativa.

A Copa, de fato, era apenas uma peça de uma ampla estratégia de Moscou para usar mega eventos como instrumentos de propaganda. Até agora, US$ 70 bilhões foram gastos em torneios, campeonatos mundiais e Olimpíada de Inverno. A diplomacia do esporte bancada com dinheiro público não termina com a Copa. Em 2019, a Universíade será na Rússia. Já em 2020, São Petersburgo recebe cinco jogos da Eurocopa.

"Planejamos grandes eventos e esperamos ainda sediar torneios jovens, sub-21 e mesmo o Mundial Feminino", disse. "Podemos ainda ter finais de clubes europeus em qualquer uma das cidades sedes da Copa", disse.

 

Uma vez mais, a coletiva de imprensa serviu para que os organizadores declarassem o 'sucesso total' e o 'trabalho perfeito' da Copa. "Ela mostrou nosso rosto verdadeiro ao mundo, de quem somos", afirmou Dvorkovich. "Acredito que o Mundial ajudou a fazer com que nossa imagem no mundo esteja mais perto da realidade", disse. Entre os pontos destacados pelos organizadores está a presença de 7 milhões de pessoas nas Fan Fest espalhadas pelo país. "Esse número é superior ao que se registrou no Brasil", contou.

Durante a Copa, a torcida europeia ficou bem abaixo do esperado. Entre os maiores grupos de estrangeiros, o primeiro europeu aparece apenas na sétima posição, com os ingleses na sétima posição e abaixo do Brasil ou mesmo da China.

De acordo com os organizadores, o número de ingleses apenas atingiu 30 mil pessoas por conta do sucesso de sua seleção, que chegou às semifinais. Antes da Copa começar, apenas 18 mil ingleses haviam comprado ingressos. "Durante o Mundial, as pessoas escaparam dos preconceitos e vieram apoiar o time", disse Alexey Sorokin, CEO da Copa. Na nona posição aparecem os alemães, com 29 mil torcedores e abaixo dos colombianos.

POLÍTICA

Questionado, porém, se manifestações políticas poderão ser autorizadas depois da Copa, o vice-primeiro-ministro deixou claro que nada muda no País. "Quando são de cunho político, de várias formas, os procedimentos continuarão a ter de ser seguidos", afirmou. Pelas regras em Moscou, um protesto apenas pode ocorrer se o governo autorizar, o que raramente ocorre.

Em sua avaliação, não se pode medir o impacto do torneio apenas pela repercussão no PIB. "Em alguns locais, a infraestrutura criada apenas terá sua utilização total em cinco ou sete anos", afirmou.

Justificando investimentos de US$ 11 bilhões e a Copa mais cara da história, os organizadores insistiram que os gastos não se destinam apenas para o futebol.

Mantendo um tom patriótico, Sorokin concluiu com uma constatação. "Sim, nós conseguimos", completou.

 

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