Carl Recine/Reuters
Carl Recine/Reuters

Após invasão em final, polícia russa lamenta não poder usar repressão stalinista

Integrantes do grupo Pussy Riots invadiram o campo em decisão entre França e Croácia

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 20h38

Horas depois de serem detidas no estádio Luzhniki, em Moscou, a polícia russa questionou as integrantes do grupo Pussy Riots, depois que uma invasão de campo ocorreu em plena final da Copa do Mundo em um protesto contra o presidente Vladimir Putin. Mas as autoridades lamentaram não estarem nos anos do Stalinismo, quando a repressão foi ampla e generalizada contra qualquer um que questionasse o sistema.

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Em cenas na delegacia que circularam pelas redes sociais, os policiais mantém o que aparenta ser os primeiros momentos de um interrogatório. "Você é uma canalha, qual seu nome?", questionou um policial. "Por que decidiram fazer merda na Rússia?", disse. "Não. Não estamos contra a Rússia", respondeu uma das meninas detidas.

O policial voltou a cobrar uma explicação. "Saibam que, por esse motivo, a Rússia vai pagar multas contratuais à Fifa", disse. "Vocês fizeram mal à Rússia", declarou o policial. O grupo, porém, deixou claro que não concordava com a avaliação das autoridades. "Não fizemos mal para a Rússia", contra-atacaram.

O interrogatório continuou: "Vocês são normais?", perguntou um dos agentes. "Sim, somos", responderam. A polícia quis saber onde o grupo havia alugado os uniformes de agentes de segurança que usaram para invadir o campo. "Alugamos", responderam.

 

Os policiais, porém, lamentaram não estar mais em 1937, ano de uma importante repressão de Joseph Stalin, para poder punir o grupo. "Infelizmente, hoje em dia, não estamos em 1937, infelizmente", insistiu.

Os integrantes do grupo voltaram a declarar que o objetivo não era o de prejudicar a Rússia. "Não temos esse objetivo, muito pelo contrário. Apoiamos a Rússia", disseram.

 

 

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