Rafael Ribeiro/ CBF
Rafael Ribeiro/ CBF

Pandemia divide Estados sobre a Copa América; oposição ameaça ir ao Supremo

Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Norte alegam não ter condições de receber o evento; já São Paulo e Bahia aceitam jogos desde que sejam adotadas regras de controle de disseminação da covid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 14h58
Atualizado 31 de maio de 2021 | 20h14

Após a Conmebol anunciar na manhã desta segunda-feira que o Brasil é a mais nova sede da Copa América, governadores passaram a rejeitar a realização do torneio no País. Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Norte já alegaram não ter condições de receber um evento desse porte em meio à pandemia do novo coronavírus. Em contrapatida, Estados como São Paulo e Bahia não se opuseram à realização da Copa América, desde que seja sem público. Já o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) e o Partido dos Trabalhadores anunciaram que pedirão ao Supremo Tribunal Federal (STF) o cancelamento da Copa América.

Para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, a prioridade tem de ser o combate à pandemia. "O governo do Rio Grande do Sul não foi procurado nem pela CBF e nem pela Conmebol para tratar da Copa América. Recebemos os jogos em 2019, o que muito nos orgulha, mas, pessoalmente, entendo que seria inoportuno realizar a competição no Estado e no Brasil neste momento. Precisamos concentrar esforços no enfrentamento à pandemia e, nesse contexto, é inadequado que a competição ocorra aqui, mesmo sem público nos estádios", disse Leite em um comunicado.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), também declarou que não poderá receber partidas do torneio em razão do "atual cenário epidemiológico".  Isso porque o Estado encontra-se em um momento crítico da pandemia. No último sábado, houve recorde de novas infecções pela covid-19. Ao todo, foram registrados 5.576 casos da doença em 24 horas. A taxa de ocupação de leitos de UTI na rede pública é dramática e já atinge os 98%. Nos hospitais privados não é diferente. Cerca de 86% dos leitos estão ocupados por pacientes diagnosticados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). 

"O Governo de Pernambuco monitora, de forma permanente, por meio do Gabinete de Enfrentamento à Covid-19, os indicadores da doença no Estado. Nas últimas semanas, foi identificada uma nova aceleração dos casos, que motivou novas medidas restritivas no Agreste e na Região Metropolitana. Apesar de ainda não ter sido procurado oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Governo do Estado reforça que o atual cenário epidemiológico não permite a realização de evento do porte da Copa América no território de Pernambuco", diz nota do governo.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, usou as redes sociais para fazer um comunicado na tarde desta segunda-feira no mesmo sentido. "O Rio Grande do Norte não recebeu nenhum comunicado oficial a respeito da realização da Copa América em território potiguar. Mas, apesar de sermos um dos Estados com estrutura física disponível, não temos hoje níveis de segurança epidemiológica para realização do evento", escreveu.

O governo de Minas também se posicionou contra a realização da Copa América por meio de um comunicado. "Os jogos atualmente realizados em Minas Gerais só são possíveis sem a presença de público. Além disso, a presença das delegações internacionais demandaria esquemas especiais de segurança e sanitários para evitar riscos de aglomeração ou contágio."

Por outro lado, São Paulo e Bahia aceitam receber a Copa América, desde que sejam adotadas regras de controle de disseminação da covid-19. "O governo de São Paulo não fará objeção caso a CBF defina São Paulo como um dos locais de jogos da Copa América, desde que os protocolos do Plano São Paulo sejam obedecidos", disse o governo na nota.

O governador da Bahia, Rui Costa, liberou os jogos da Copa América no Estado, mas sem público. "Sobre a transferência da Copa América 2021 para o Brasil, adianto que não há possibilidade de flexibilizar regras para que a Bahia seja sede. Seguiremos o mesmo padrão em relação ao futebol. Não será permitido público. Se a exigência é ter público, aqui na Bahia não terá", disse.

O governo do Rio vai se reunir com a prefeitura para juntos decidirem se a cidade do Rio de Janeiro tem condições de receber jogos da Copa América. "A decisão será pautada por critérios técnicos e pela situação da pandemia no Estado", diz nota do Palácio Guanabara. O Maracanã está cotado para receber a final do torneio.

POLITIZAÇÃO

O deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) informou nesta segunda-feira que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) o cancelamento da Copa América no Brasil. "Estou entrando na Justiça contra a realização da Copa América no Brasil. Um absurdo! Trago mais informações ao longo do dia", escreveu no Twitter.

O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), quer convocar o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, para prestar esclarecimentos sobre as medidas de segurança para a realização de partidas da Copa América no País. De acordo com o senador, "não temos a menor condição de sediar uma Copa neste momento de pandemia".

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), chamou a Copa América de "campeonato da morte". "Com mais de 462 mil mortes sediar a Copa América é um campeonato da morte. Sindicato de negacionistas: governo, Conmebol e CBF. As ofertas de vacinas mofaram em gavetas mas o ok para o torneio foi ágil. Escárnio", escreveu Renan nas redes sociais.

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