Nathalia Aguilar/EFE
Nathalia Aguilar/EFE

Juiz teme fuga e obstrução nas investigações e mantém Ronaldinho preso em Assunção

Gustavo Amarilla explica por que negou nesta terça-feira o pedido de transferência do ex-jogador e de seu irmão Assis para prisão domiciliar

Raphael Ramos, Enviado Especial a Assunção, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 11h32

O juiz Gustavo Amarilla negou nesta terça-feira pedido de transferência de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis, para prisão domiciliar em Assunção, no Paraguai. Ambos estão detidos desde sexta-feira em um presídio de segurança máxima na capital paraguaia. Entenda como está o caso em que Ronaldinho e Assis são acusados. A primeira solicitação dos advogados dos brasileiros foi de que ambos fossem liberados. Sem sucesso, foi pedida, então, a prisão domiciliar. O juiz e o Ministério Público, no entanto, se opuseram à oferta dos advogados.

Chegou a ser dado como garantia o imóvel que serviria como prisão domiciliar, no valor de US$ 770 mil (cerca de R$ 4 milhões). Mas o juiz entendeu que se ambos saíssem da cadeia poderiam prejudicar as investigações de uso de passaporte falso e outros crimes. "É uma responsabilidade minha e do poder público que a investigação não seja obstruída e que ambos não fujam do país", alegou Amarilla.

Como parte da investigação sobre a produção e uso de documentos falsos, já foi dada ordem de prisão a outras quatro pessoas. O Ministério Público aponta Dalia López, empresária responsável por organizar a viagem de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão ao Paraguai, como suposta integrante de uma organização criminosa estruturada de maneira a facilitar o desenvolvimento e o uso de documentos de identidade e passaportes de conteúdo falso. Ela está foragida.

O esquema contaria com a participação de funcionários estatais e privados e o objetivo seria obter negócios ilegais e benefícios patrimoniais. Assim, um passaporte paraguaio emitido em nome de María Isabel Gayoso pelo Departamento de Identificação da Polícia Nacional teria sido modificado para Ronaldinho, com nacionalidade paraguaia naturalizada.

Os dois irmãos chegaram ao Paraguai na última quarta-feira. No mesmo dia, a polícia foi ao hotel onde ambos estavam hospedados e apreendeu os passaportes falsos. "Todo o processo começou a menos de uma semana. Pode ser que eles estavam fazendo o simples uso dos passaportes, mas também há outras crimes que estão sendo investigados", disse Amarilla. Os celulares de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão foram apreendidos e os conteúdos dos aparelhos vão para perícia.

 

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